Tucano quer prisão de Agnelo por usar laranjas

Segundo papéis em poder do MP do DF, governador teria ganho R$ 10 milhões

VANNILDO MENDES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2011 | 03h06

Atos de ofício em poder do Ministério Público revelam que de 2007 a 2010, quando dirigia a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), o governador Agnelo Queiroz (PT) teria mantido relações suspeitas com um casal de advogados que transferiu bens - empresas, imóveis e franquias, no valor de cerca de R$ 10 milhões, para familiares dele, inclusive a mãe, três irmãos e um cunhado.

Ao revelar ontem os documentos, recolhidos em cartórios, junta comercial e Serasa, o deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) pediu a prisão do governador - por obstrução da justiça - e também a quebra de seus sigilos bancário e fiscal, além do bloqueio dos bens dele e dos familiares. "Ele tem que vir a público provar de onde saiu o dinheiro para compra de todos esses bens", cobrou o deputado.

Os papéis mostram que, em 28 de abril de 2008, a importadora de produtos hospitalares Saúde Import, pertencente ao casal, ganhou de Agnelo autorização para atuar em 22 Estados. A empresa havia obtido alvará de funcionamento apenas três dias antes, em 25 de abril, conforme Resolução 1.248 da Anvisa, publicada no Diário Oficial da União.

A empresa continuou obtendo privilégios na Anvisa até maio deste ano, quando recebeu autorização para importar de Cingapura milhares de lentes de contato Freshkon e óculos Private Limited. Os donos, conforme os papéis, são o advogado Glauco Alves Santos e sua mulher, Juliana Roriz Suaiden Santos, servidora pública, de quem Agnelo comprou, em março de 2007, a mansão em que vive.

O imóvel, no setor de Mansões Dom Bosco, um dos endereços mais caros de Brasília, foi registrado por R$ 400 mil - embora seu valor de mercado, na época, fosse de R$ 2 milhões. A partir daí, o casal aparece como intermediário de sucessivas compras de familiares de Agnelo, entre os quais franquias de uma rede fast food em três shoppings e da Torteria Di Lorenza.

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