Tucano que teve e-mail violado acusa petista e quer CPI

Deputado Francischini levanta suspeitas sobre Agnelo Queiroz, apesar de grampos esbarrarem em servidores de Marconi

ANDREA JUBÉ VIANNA / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2012 | 03h07

O deputado federal Fernando Francischini (PSDB-PR), que teve o sigilo de seu e-mail violado por um integrante da organização de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, intensificará a pressão para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigará as ramificações do esquema no Congresso. Ele quer o apoio da cúpula tucana e o PSDB unido na investigação. Francischini diz que é a chance do partido mostrar que tem postura diferente da do PT. "Partido forte é o que encara um desafio público como este. Não o que varre a sujeira pra debaixo do tapete, como fez o PT no mensalão", diz. As ramificações do esquema ilegal de jogos de azar foram parar na antessala do governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, causando embaraço ao PSDB. Flagrada em conversas telefônicas com Cachoeira, a chefe de gabinete de Marconi, Eliane Pinheiro, pediu exoneração.

Apoio. O segundo a cair foi o presidente do Detran-GO, Edivaldo Cardoso, que também trocou telefonemas com o contraventor. Apesar das conexões do esquema com um governador tucano, Franceschini pediu o apoio do presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), e do líder do partido na Câmara, Bruno Araújo (PE). A ideia é reunir a bancada tucana semana que vem para referendar a criação da CPI.

O requerimento para instalação da CPI foi protocolado pelo deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) há três semanas e aguarda despacho do presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS). Maia disse ao tucano que acha "importante" a investigação, para "passar a limpo" as relações da Câmara com Cachoeira.

Em outra frente, Francischini também tentará convocar Cachoeira - detido no presídio de segurança máxima em Mossoró (RN) - já nesta terça-feira, a fim de que ele seja ouvido pela Comissão de Segurança Pública, na hipótese de a CPI atrasar.

Além de Cachoeira, o deputado também quer ouvir o agente aposentado da Polícia Federal Joaquim Gomes Thomé e o sargento aposentado da Aeronáutica Idalberto Matias, que seriam responsáveis pela montagem de um esquema de interceptação ilegal, que monitorou os e-mails dele. Francischini suspeita de envolvimento do governador do DF, Agnelo Queiroz (PT), no monitoramento de seus e-mails. O tucano pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a investigação de Agnelo por suposto favorecimento ilícito a um laboratório quando estava na direção da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

"Pelo rastro de quem quebrou meu sigilo, podemos esbarrar num governador do PT", disse. Os grampos sugerem ligação do governo de Agnelo com o grupo de Cachoeira: um diretor do DFTrans teria participado de uma operação para direcionar um contrato de bilhetagem eletrônica de ônibus, estimado em R$ 60 milhões, ao grupo de Cachoeira.

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