Taba Benedicto/Estadão
Taba Benedicto/Estadão

Tucano que perdeu as calças em confusão durante prévias em 2016 apoia Covas, mas segue anti-Doria

Albino José Seriqueira, o Bininho, ficou conhecido na última eleição municipal por defender o hoje governador nas prévias tucanas; dois anos depois rompeu com Doria e chegou a apoiar Márcio França para o Estado

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2020 | 16h07

Militante da velha-guarda do PSDB no Tatuapé, Albino José Seriqueira saudou o prefeito Bruno Covas, mas não cumprimentou o governador João Doria quando a dupla chegou para votar no diretório na zona leste na manhã deste sábado, 12. Conhecido como Bininho, o tucano virou meme na última eleição municipal ao ficar somente de cueca, caído na sarjeta, durante confusão ocorrida nas prévias realizadas pelo partido naquele ano.

Bininho defendia Doria, que disputava a indicação do PSDB com o então vereador Andrea Matarazzo, hoje pré-candidato a prefeito da capital pelo PSD. "Comigo não tem boi. Você viu que ele (Doria) cumprimentou todo mundo hoje, menos eu", ressaltou. "No momento adequado, mais perto da eleição, eu vou dar uma entrevista bombástica. Se o Bruno ficar muito ao lado do Doria, não sei o que vou fazer", disse.

A briga de 2016 entre apoiadores de Doria e Matarazzo ocorreu justamente no diretório do Tatuapé, o primeiro fundado pelo partido. Uma discussão sobre supostas irregularidades nas prévias terminou com Bininho com a calça arriada, caído na sarjeta. Doria venceu a disputa interna, foi eleito prefeito de São Paulo em primeiro turno e depois abriu mão do cargo, apenas 15 meses depois, para concorrer e virar governador.

Em 2018, a disposição de brigar por Doria já havia mudado. Bininho não seguiu o partido e apoiou a tentativa de reeleição do então governador Márcio França (PSB), que hoje é adversário de Covas. O motivo teria sido a disposição de Doria em enfrentar Geraldo Alckmin pela vaga tucana na corrida presidencial.

Símbolo

O diretório do Tatuapé é simbólico para os tucanos. Além de ter sido o primeiro do partido, foi fundado pelo ex-governador e ex-prefeito Mário Covas, em 1988. A tia de Bininho, Maria de Lourdes Silva, a Lurdinha, participou de todo o processo e neste sábado recebeu Covas e Doria na entrada. O local foi um dos 18 pontos de votação da convenção do partido que oficializou a candidatura de Covas à reeleição

Após participar da entrevista coletiva ao lado do prefeito e do governador e ser saudada por ambos, Lurdinha evitou entrar em bola dividida, mas fez uma cobrança: "A obrigação do Doria é ajudar o Bruno na campanha. Afinal, ele foi eleito pelo PSDB", disse ela ao Estadão.  

O diretório do Tatuapé tornou-se um símbolo de resistência do partido  quando o então governador Orestes Quércia (MDB) começou a cooptar os diretórios do interior de São Paulo, mas a capital se insubordinou e fechou com Mário Covas, que tentava fundar o PSDB. O diretório do Tatuapé foi o primeiro a sair do MDB.

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