Tucano e petista dizem que plano de governo de adversário é fictício

Candidatos que dividem 2ª posição em pesquisas criticam Russomanno por ter coordenador 'laranja' em campanha

O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2012 | 03h03

Empatados tecnicamente no segundo lugar das pesquisas de intenção de voto, José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) acusaram ontem o adversário Celso Russomanno (PRB), que lidera a disputa, de ter um programa de governo fictício para administrar São Paulo.

As declarações foram uma reação à reportagem publicada ontem pelo Estado, segundo a qual o homem apresentado pela campanha do PRB como "coordenador do plano de governo" realiza, na verdade, funções secundárias no comitê de Russomanno. O nome pelo qual é apresentado, "Carlos Baltazar", é falso. Seu nome verdadeiro é Carlos Alberto Joaquim, um servidor de baixo escalão da Prefeitura de São Paulo.

"Não é que o coordenador do plano é um 'laranja'. O plano em si é 'laranja'", afirmou o candidato petista, após visita à central de operações do Samu, no Bom Retiro, região central da cidade.

Desde que lançou seu programa de governo, em 13 de agosto, Haddad tem usado o fato como trunfo de campanha e afirmado que seus adversários ainda não fizeram o mesmo. Segundo o petista, o documento foi elaborado ao longo de seis meses e teve a colaboração de 500 pessoas, entre professores universitários, técnicos e lideranças comunitárias. "Eu sei que é difícil fazer um plano de governo, mas é o mínimo que um candidato tem que se dispor a apresentar", afirmou.

O candidato tucano também fez críticas a Russomanno ao comentar a reportagem. "Eu desconfio que (o programa de governo) foi comprado pela internet. Com a internet hoje você tem de tudo. É tudo disfarçado, tudo no campo do virtual", disse Serra.

"É só para fazer figuração. Eles terceirizam (a elaboração do programa)", afirmou o tucano.

Russomanno lançou nesta semana um caderno com 50 páginas no qual apresenta suas propostas, muitas delas criticadas por não detalharem gastos e impactos no Orçamento. O texto é uma cópia do documento apresentado pela campanha do PRB à Justiça Eleitoral em julho.

A campanha de Serra afirma que só vai lançar um programa de governo num eventual segundo turno. Por escrito, a campanha tucana apresentou apenas um documento de dez páginas à Justiça Eleitoral, também em julho.

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