Tucano é investigado por desvio de verba em prefeitura de MT

Procuradoria apura se Leitão, hoje líder da oposição na Câmara, foi beneficiado por fraude em aluguel de ônibus

Ricardo Brito, Débora Álvares / Brasília, O Estado de S.Paulo

13 Junho 2013 | 02h11

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu ampliar as investigações de um inquérito que investiga o líder da oposição na Câmara, deputado Nilson Leitão (PSDB-MT), por suspeita de crime de responsabilidade quando era prefeito de Sinop, no interior de Mato Grosso. O Ministério Público Federal apura se houve desvio de recursos de uma licitação para aluguel de ônibus para transporte escolar.

No fim de maio, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu ao Supremo a quebra do sigilo bancário da empresa Viação Sinopense Ltda. "para que seja apurado se os valores pagos pela prefeitura de Sinop foram, posteriormente, repassados ao deputado federal Nilson Aparecido Leitão ou a terceiros por ele indicados".

Na quinta-feira passada, Toffoli acatou o pedido de Gurgel, determinando aos bancos onde a empresa tenha conta que informem as movimentações financeiras realizadas entre março de 2001 e janeiro de 2002. "O afastamento excepcional dos sigilos da citada empresa faz-se, assim, indispensável à elucidação do quadro noticiado. Visa a saber se ocorreu, ou não, a participação do investigado nos atos versados pelo procurador-geral da República", escreveu Toffoli.

Leitão administrou a cidade entre 2001 e 2008. Ele chegou a ser preso em maio de 2007 pela Polícia Federal, sob suspeita de envolvimento com um esquema de desvio de recursos em obras públicas desbaratada pela Operação Navalha. Ele não foi denunciado à Justiça pelo Ministério Público.

Após analisar a cópia da licitação e a auditoria do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) sobre a concorrência, Gurgel considerou haver indícios de crime de responsabilidade cometido pelo tucano.

Demora. Leitão afirmou desconhecer o inquérito, que foi aberto em março e sobre o qual ele disse não ter sido ainda notificado. O tucano espantou-se com a demora para que o caso começasse a ser investigado.

"O inquérito me estranha. Não sei por que tem que esperar 12 anos. O que motiva isso é o momento, eu ter me tornado deputado e líder da oposição, estou criticando o governo, estou liderando movimento, é natural", afirmou Leitão. O deputado disse considerar "normal" investigações contra agentes públicos como ele. "Se tivesse o rabo preso, acha que me exporia desse jeito?", afirmou, ao comentar seus discursos de oposição na tribuna da Câmara. "Se o Ministério Público tem dúvida, que investigue."

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