Tucano diz que 'kit gay' tinha aspectos 'ridículos'

Questionado sobre assunto, José Serra aproveitou para criticar Fernando Haddad, que era ministro da Educação quando material foi elaborado

BRUNO BOGHOSSIAN, BRUNO LUPION, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2012 | 03h05

O candidato do PSDB a prefeito de São Paulo, José Serra, criticou o "kit gay" criado a pedido do Ministério da Educação e afirmou que o ex-ministro Fernando Haddad (PT), seu adversário na disputa, deve explicações sobre a elaboração do material de combate ao preconceito a homossexuais.

Questionado sobre o assunto em entrevista à rádio Jovem Pan, na manhã de ontem, o tucano disse que o kit que seria usado contra a homofobia na rede pública de ensino tinha "aspectos ridículos e impróprios". "Não quero nem entrar em detalhes, porque vão dizer que eu estou introduzindo (o tema na campanha), mas (o "kit gay") tinha aspectos ridículos e impróprios para passar para crianças pequenas", afirmou.

Apesar de dizer que não pretende apresentar o tema durante a campanha, o tucano ligou diretamente Haddad à criação do material. "Quem fez foi o Ministério da Educação quando Fernando Haddad era titular, então é natural que cobrem isso na campanha. Ele é quem tem que se explicar, não são os outros candidatos", disse o candidato do PSDB.

Serra tem dirigido críticas ao candidato petista nos últimos dias, apesar de dividir a primeira colocação nas pesquisas de intenção de voto com o candidato do PRB, Celso Russomanno.

Na terça passada, Serra fez referência ao julgamento do mensalão, que está sendo realizado pelo Supremo Tribunal Federal em Brasília. O escândalo tem petistas como alvo principal. Nos bastidores, a campanha de Serra acredita que Haddad vai subir nas pesquisas com o início do horário eleitoral de TV no dia 21 de agosto.

Na entrevista de ontem, Serra afirmou ainda que o "kit gay", elaborado por uma ONG a pedido do Ministério da Educação, era uma "via errada" de combate ao preconceito. "(O kit gay) foi considerado um equívoco, tanto que a presidente (Dilma Rousseff) retirou quando tomou conhecimento. Não era apenas combate ao preconceito, era uma via errada."

Haddad disse que recebeu os comentários como um "elogio" a Dilma, que vetou a distribuição do material nas escolas. Para o petista, a decisão da presidente foi acertada naquele momento.

"Acho que é a primeira vez que ele elogia algo que a Dilma tenha feito", disse o candidato do PT.

O petista, no entanto, não gostou dos adjetivos usados pelo tucano para qualificar o kit, que seriam "um desrespeito" ao trabalho da ONG que o produziu.

Evangélicos. O "kit gay" também é alvo de críticas de líderes evangélicos, de quem Serra se aproximou durante a campanha. Nos últimos meses, pastores declararam que pretendem fazer campanha contra Haddad por sua relação com o material.

Entre os religiosos que fizeram críticas ao material anti-homofobia estão líderes da Igreja Universal, que apoia Russomanno, e da Assembleia de Deus, que tem parte de seus pastores ao lado de Serra e uma ala com Gabriel Chalita (PMDB).

O candidato do PSDB disse, também na entrevista de ontem, que não pretende focar sua campanha na relação com as igrejas, mas admitiu a importância do segmento. "Para mim, política não é a mesma coisa que religião, mas religião e política são duas coisas fundamentais", disse Serra. "Minha preocupação como candidato é ganhar todos os setores do eleitorado", afirmou.

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