Tucano combina com pastor ficar fora de ataques a 'kit gay'

A campanha do PSDB na disputa pela Prefeitura de São Paulo acertou com o pastor Silas Malafaia que vai desvincular o candidato José Serra dos ataques feitos pelo líder religioso a Fernando Haddad (PT). Malafaia foi consultado anteontem pela equipe tucana e deu aval para que Serra descole sua imagem das críticas feitas pelo pastor a políticas do petista como o "kit gay", material didático de combate à homofobia idealizado - mas não distribuído - na gestão de Haddad no Ministério da Educação.

ADRIANA CARRANCA, BRUNO BOGHOSSIAN, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2012 | 03h05

O pastor fechou apoio a Serra ainda no 1.º turno. Ontem, um dia após o acordo com a equipe tucana, Malafaia publicou em sua página na internet vídeo em que tenta se descolar do PSDB, alega ter declarado apoio "como cidadão" e diz que votou em Luiz Inácio Lula da Silva para presidente. Mas volta a atacar o chamado "kit gay" e elogia Serra.

Na negociação, a equipe tucana não impôs restrições às críticas feitas pelo pastor ao "kit gay", mas orientou o candidato a mudar seu discurso. Avisado sobre o acordo na quarta-feira, pouco antes de uma entrevista, Serra passou a dizer que os comentários de Malafaia não fazem parte da pauta de sua campanha.

"Não preciso aparecer em TRE de candidato. As pessoas estão cientes (do apoio)", disse Malafaia ao Estado, embora negue qualquer acordo com Serra.

Ao se descolar do líder evangélico, os tucanos querem evitar que a exploração do "kit gay" na campanha seja mal recebida por eleitores mais progressistas.

No vídeo, o pastor chama o material de "lixo moral para ensinar homossexualismo", diz que Haddad "não teve competência para coordenar o Enem" - exame que teve problemas na gestão petista - e o associa ao mensalão.

Malafaia diz que Haddad falou "asneira" ao acusar Serra de "instrumentalizar" pastores contra ele. "Não sou massa de manobra nem moleque comprado para defender alguém", disse.

Tudo o que sabemos sobre:
Eleições 2012

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.