TSE amplia fundo partidário do PSD

Em outra vitória confirmada ontem, sigla terá tempo de TV proporcional à bancada na Câmara; em SP, horário de Serra deve superar o de Haddad

EDUARDO BRESCIANI, ESTADÃO.COM.BR, VANNILDO MENDES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2012 | 03h02

Decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concedeu ao PSD - idealizado no ano passado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab - o direito a ampliar sua fatia na divisão dos recursos do fundo partidário, passando dos atuais R$ 40 mil mensais para cerca de R$ 1 milhão. A sigla também terá tempo de TV proporcional à bancada de deputados federais. Fortalecida, a legenda tenta aumentar seu espaço nas negociações de última hora para as próximas eleições municipais e espera dar retorno aos aliados que o sustentaram nas épocas de vacas magras.

As duas vitórias foram confirmadas ontem. Pela manhã, o Supremo Tribunal Federal (STF) colheu o voto contrário de Cármem Lúcia, mas deu por 7 votos a 4 o direito do PSD ao tempo de TV e rádio. No início da tarde, a própria Cármem comandou a sessão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que preside, na qual se concedeu ao novo partido o acesso a uma fatia do bolo partidário proporcional aos votos recebidos em 2010 na eleição para a Câmara dos Deputados por fundadores da nova legenda.

Dividendos. O tempo de rádio e TV da legenda será de cerca de 2 minutos por dia nos blocos de propaganda eleitoral, dependendo do município. Apesar de enfrentar a oposição institucional de quase todos os partidos para atingir os dois objetivos, a vitória do PSD vai render dividendos não só ao próprio partido - é quase certa a escolha de Alexandre Schneider como vice de José Serra (PSDB) em São Paulo - mas também aos que se aliaram à sigla, O tucano, por exemplo, deve agora superar o tempo de TV de Fernando Haddad (PT). No Rio, o beneficiado será Eduardo Paes (PMDB). Em Curitiba, Luciano Ducci (PSB) e em Salvador, Nelson Pellegrino (PT).

"A partir do momento que temos o tempo de TV, as coligações e alianças que estão conosco se beneficiam junto. E o PSD tem várias alianças, é um partido em formação e sem preconceitos", diz o líder da sigla na Câmara, Guilherme Campos (SP).

A nova legenda, porém, quer dar e receber. Além da pressão pela vice de Serra, o partido tenta ampliar sua presença em chapas pelo País afora. Aliado dos governadores na maioria dos Estados, a legenda espera conseguir ganhar prefeituras importantes e emplacar vereadores para formar a chamada "base política".

Comissões. O espaço do PSD deve crescer também na Câmara dos Deputados. A legenda vai brigar em 2013 para ocupar um lugar na Mesa Diretora e para comandar ao menos duas das comissões temáticas da Casa. A disputa só não acontecerá agora porque Campos fez um acordo com o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), e líderes de outras bancadas, o que garantiu algum espaço para deputados do PSD em comissões importantes em troca do adiamento das exigências. Ousado, porém, o partido já articula junto com o PSB uma união na eleição para a presidência da Câmara para tentar desbancar o PMDB, que espera do PT o cumprimento de um acordo para comandar a Casa.

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