Tropas são paliativo e tráfico e milícia vão voltar, diz TRE-RJ

O presidente em exercício doTRE, Alberto Motta Moraes, reconheceu nesta quinta-feira que aatuação das Forças Armadas nas eleições do Rio de Janeiro é umpaliativo e que o tráfico e as milícias vão voltar àscomunidades assim que as tropas saírem. Ao avaliar o primeiro dia de atuação das Forças Armadas emcinco favelas da capital para combater os currais eleitorais,Moraes disse que a segurança oferecida é relativa, pois osmilitares ficarão no máximo três dias em cada uma dascomunidades. "Temos a certeza de que, retiradas as tropas dali, é lógicoque o traficante vai voltar, o miliciano vai voltar (apressionar os eleitores)", admitiu. "Não fomos levar o remédio para curar a doença... é umabafa que está sendo feito e vamos tentar transmitir o mínimode segurança ao eleitor", acrescentou Moraes. Segundo Moraes, a segurança que o eleitor pode ter é a dosigilo do seu voto. "O voto é do eleitor e ele é absolutamente secreto. É oeleitor que pode garantir a segurança do voto", afirmou opresidente do TRE. Moraes avaliou como "positivo, satisfatório e tranquilo" oprimeiro dia de atuação das tropas no Rio, sem confronto ouameaça de conflito com traficantes ou milicianos. "Isso já era esperado. Não houve problema nenhum até porqueas Forças Armadas adotaram a estratégia de divulgarantecipadamente os locais de ocupação", disse ele. No dia da eleição, as tropas militares estarão tambémespalhadas por outros pontos da cidade para garantir acirculação de eleitores, candidatos e jornalistas e para evitarmais pressão de traficantes e milicianos sobre o eleitorado Outra medida será a proibição do uso de celulares comcâmeras nas cabines de votação no dia da eleição. O Tribunalrecebeu denúncias de que traficantes e milicianos estariamobrigando eleitores a fotografarem seu voto. "Vamos proibir, mas não sabemos como isso será feito porqueo mesário na pode revistar um por um", ressaltou. O juiz eleitoral Luiz Márcio, que controla a propagandaeleitoral no Estado, disse que ficou surpreso no primeiro diade operações nas favelas ocupadas pelas Forças Armadas com ogrande volume de material irregular apreendido. Ao menos umatonelada foi recolhida das cinco favelas, quantidade suficientepara encher quatro caminhões baú. "Era material fora dos padrões e das regras, comoestabelecimentos comerciais, associações, clubes, igrejas e atéresidências que faziam a propaganda do lado de fora, o que éproibido", disse o juiz. O TRE também definiu locais específicos nas comunidadesocupadas onde candidatos podem fazer comícios e corpo-a-corpocom garantia de segurança da Forças Armadas.(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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