Samuel Klicksam e Wilton Junior/Estadão
Samuel Klicksam e Wilton Junior/Estadão

Troca de acusações marca debate no Rio de Janeiro

Candidato do DEM foi tratado pelo adversário como aliado de Sérgio Cabral, enquanto o juiz foi acusado de envolvimento com Pastor Everaldo, investigado na Lava Jato

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2018 | 00h21

RIO - Muita troca de acusações e pouca discussão sobre projetos de governo deram o tom do debate promovido pela TV Globo na noite desta quinta-feira, 25, entre os candidatos a governador do Rio de Janeiro nas eleições 2018Eduardo Paes (DEM) e Wilson Witzel (PSC).

Paes foi tratado pelo adversário como “o candidato do (ex-governador Sérgio) Cabral (preso e condenado por corrupção) e do (atual governador Luiz Fernando) Pezão (cuja popularidade é muito baixa)”, enquanto Witzel foi chamado por Paes de “candidato do Pastor Everaldo (político investigado na Lava Jato) e do (atual prefeito Marcelo) Crivella.

Logo na primeira pergunta, Paes questionou o adversário sobre sua ligação com um advogado que defendeu o traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, citando uma conversa por rede social em que Witzel teria combinado a entrega de dinheiro ao advogado. Witzel tentou falar sobre programa de governo e foi acusado por Paes de desviar do assunto. Então o candidato do PSC acusou Paes de responder a inquéritos e de estar disputando essa eleição com base numa liminar da Justiça.

Paes manteve os ataques acusando o adversário de, como juiz federal, ter recebido salário de até R$ 81 mil e auxílio-moradia, mesmo tendo casa própria. Ele comparou Witzel com outros juízes federais: “Você não é o (Sérgio) Moro, não é o (Marcelo) Bretas, não é a Denise Frossard”, afirmou. “Esses sim fizeram grandes trabalhos no Judiciário”. O candidato do PSC retrucou afirmando que sempre trabalhou para merecer esses salários e que nunca praticou irregularidades.

O segundo bloco começou mais ameno, com debate sobre os planos de governo dos dois candidatos nas eleições 2018. Witzel disse ser contra a privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), empresa estadual empenhada por conta do plano de recuperação fiscal firmado pelo governo estadual com o governo federal. Paes concordou que a Cedae não deve ser privatizada.

Na segunda pergunta, porém, os candidatos voltaram a trocar acusações. Paes chamou Witzel de “candidato do Crivella”, e Witzel rebateu dizendo que não pediu o apoio dele. Disse ainda que o atual prefeito faz uma “péssima gestão” e que até tentou ajudá-lo.

O clima beligerante continuou no bloco seguinte, quando Witzel, ao perguntar sobre planos para educação, ligou a candidatura do adversário com o PT. “Lá vem ele começar a usar escada, negócio de PT e Bolsonaro. O PT tinha a Márcia Tiburi candidata e não está apoiando minha candidatura”, retrucou o candidato do DEM.

Witzel disse que vai impedir a partidarização do ensino e citou o projeto da Escola sem Partido, proposto por Flávio Bolsonaro, senador eleito pelo PSL no Rio de Janeiro nas eleições 2018 e filho do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). Witzel então agradeceu a Flávio por ter autorizado o uso de imagens dele na propaganda eleitoral do candidato do PSC. Dirigindo-se a Paes, afirmou que “seu partido tinha ido à Justiça para impedir que ele aparecesse nas propagandas. Hoje ele deu autorização, estou feliz.”

Paes retrucou: “Parece uma criança. Ficou feliz porque o Flávio Bolsonaro deu licença”, e foi interrompido pela plateia, que se dividia entre aplausos e vaias. Paes continuou: “Parabéns ao Flávio Bolsonaro, que foi eleito senador. A gente está elegendo o governador, o senador não estará no Palácio Guanabara para assinar documentos.”

Na sequência, Paes perguntou a Witzel se acha normal que um candidato a governador advogue para “tanta gente envolvida na Lava Jato”. O candidato do PSC foi enfático: “O que eu não acho normal é o candidato do Pezão e do Cabral, envolvido em sete delações da Lava Jato e pendurado numa liminar do Tribunal Superior Eleitoral, querer ser governador. A gente vê a arrogância do candidato. Eu fui juiz federal por 17 anos, você é bacharel em direito, nem o exame da Ordem você conseguiu fazer, não foi aprovado, nunca estudou.”

Witzel ainda disse que Paes “financiou a campanha do filho do Cabral e da filha do Eduardo Cunha”, referindo-se a dois candidatos a deputado federal não eleitos, mas para cujas campanhas Paes colaborou com doações. O candidato do DEM alegou se tratar de uma decisão partidária.

Nas considerações finais, enquanto Witzel agradeceu a população, citando quem lhe ofereceu “sopa de ervilha” e “cafezinho” durante os atos de campanha, Paes continuou criticando o adversário: “Quase um lobo em pele de cordeiro, ou um Kinder Ovo: a cada hora você descobre uma surpresa diferente”, afirmou, referindo-se a Witzel.

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