'Tribunal de Contas tem que ser extinto'

Abrindo série Entrevistas Estadão, nome do PSOL afirma que órgão é cabide de emprego

GUILHERME WALTENBERG, AGÊNCIA ESTADO, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2012 | 03h06

Com repertório recheado de críticas ao que chamou de "a velha política", o candidato do PSOL à Prefeitura de São Paulo, Carlos Giannazi, afirmou ontem na série Entrevistas Estadão que pretende, se eleito, extinguir o Tribunal de Contas do Município, órgão de fiscalização da administração ligado à Câmara Municipal. Para ele, o TCM é "uma herança maldita do regime militar".

"Vamos extinguir o TCM, que consome mais de R$ 230 milhões dos cofres públicos por ano. É um cabide de emprego. A cidade toda lutando contra a especulação imobiliária e vai lá o (prefeito Gilberto) Kassab e indica o Domingos Dissei, um empreiteiro, para o cargo", afirmou ele, referindo-se às indicações políticas dos oito conselheiros do órgão.

A série Entrevistas Estadão pretende entrevistar os 12 candidatos que disputam a Prefeitura de São Paulo neste mês de agosto. Os encontros vão ser realizados sempre às 15h e podem ser acompanhados, ao vivo, pela página da TV Estadão na internet (veja acima).

Além de pregar a extinção do TCM, o candidato do PSOL disse também que a cidade de São Paulo está dominada por "máfias". Ele citou cinco áreas em que esses grupos estariam "atuando": lixo, merenda escolar, serviço funerário, transporte e especulação imobiliária.

Giannazi propôs a criação de um comitê com representantes de todas as polícias para o embate. "Faremos uma devassa nessas máfias", disse o candidato.

Para o candidato, seu partido, o PSOL, é o único com autonomia para enfrentar esses grupos porque "não é sustentado pelas grandes empreiteiras e pelos grandes empresários". "Os outros têm o rabo preso." Questionado sobre quem eram os outros, Giannazi apontou o PSDB e o PT como os dois principais atores, além do que classificou de "partidos satélites, que orbitam ao redor desses dois", como PMDB, PDT, PSD e PPS.

Com menos de um minuto na propaganda do horário eleitoral gratuito no rádio e na TV, Giannazi afirmou que pretende usar o prestígio "ético e combativo" dos integrantes de seu partido para convencer o eleitorado. Ele já realizou sessões de fotos com o candidato do PSOL à Prefeitura do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo, e fará hoje uma caminhada em São Paulo com o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), "que foi uma das vozes mais ativas na CPI do Cachoeira".

Choque. Na entrevista, Giannazi defendeu também um "choque" de investimentos na educação pública, pois no seu entender é o principal instrumento de desenvolvimento, e um "choque de gestão democrática". Entre as mudanças que planeja para a administração municipal, caso seja eleito, ele citou a instituição de eleições para os subprefeitos da cidade e uma "maior participação popular". "O Kassab militarizou as subprefeituras", disse o candidato, referindo-se ao fato de a maioria dos subprefeitos ser oficiais da reserva da PM.

Giannazi afirmou também que é contrário à adoção do pedágio urbano em São Paulo: "É um crime contra a população. Nós defendemos investimentos em transporte de massa, especialmente em trem e metrô e a construção de 150 quilômetros de corredores de ônibus", afirmou o candidato.

Na área da saúde, ele defendeu a valorização dos profissionais, com aumento de salário, e a construção de novos hospitais. "Faria, ao menos, mais três unidades."

Giannazi afirmou ainda que tentaria o refinanciamento da dívida pública de São Paulo com a União. "Nenhum prefeito teve coragem de fazer esse enfrentamento. O PSDB foi governo e não fez. A Marta (Suplicy) governou com o Lula e não fez. Eles mentem (que tentaram fazer) porque tiveram a oportunidade e não fizeram", afirmou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.