Tribo já não têm acesso ao 'Velho Chico'

Os pankarás vivem em situação de pobreza, como outros sertanejos do Rio São Francisco. A dança do toré, ritual religioso, e o uso de cocares e chocalhos em dias festivos, distinguem a comunidade de outras da região. A tribo, liderada pela cacique Lucélia Leal Cabral, não conseguiu a identificação e a garantia total de posse da terra, mas a história da ocupação do semiárido é generosa com os pankarás, com registros detalhados da presença deles desde a criação de templos católicos e a expansão dos currais de gado nos séculos 16 e 17.

O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2012 | 03h06

Até 2002, os índios da região utilizavam vários nomes e expressões para reafirmar sua distinção étnica. No começo de 2003, passaram a adotar o etnônimo Pankará da Serra do Arapuá. Hoje, o povo indígena reúne quase 3 mil pessoas - a Funai, no entanto, só tomou providências quanto ao reconhecimento territorial em 2005.

Lucélia não se opõe à obra de infraestrutura do governo, mas critica a falta de diálogo com os índios e a ausência de compromisso para garantir que a comunidade seja beneficiada.

O projeto dos pankarás é ampliar o rebanho de cabras e corrigir o solo, sonho distante por falta de uma tubulação para trazer a água do São Francisco, a cinco quilômetros da aldeia.

Lucélia também reclama da falta de liberdade. No trecho de Itacurubá, cercas da Chesf impedem a entrada nas margens não inundadas do rio. "Antes, os pankarás podiam circular livremente, subir serra e chegar ao rio, agora, não", observa. / L.N.

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