Três dias depois, PT divulga nota em defesa do documento

Também em nota, PSDB diz que relatório é uma 'ação deliberada' contra a sigla tucana e o governador Marconi Perillo (GO)

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2012 | 02h07

Com três dias de atraso, o PT saiu ontem em defesa do relatório do deputado Odair Cunha (PT-MG) com as conclusões da CPI do Cachoeira. Nota assinada pelo líder do partido na Câmara, Jilmar Tatto (SP), rebateu as críticas feitas ao documento de mais de 5 mil páginas, que propõe o indiciamento de 46 pessoas.

Tatto contestou as acusações feitas pelo governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, que divulgou nota anteontem com críticas pesadas ao relator. Cunha propôs o indiciamento de Perillo por seis crimes. Para Tatto, a reação do governador tucano é uma "tentativa desesperada de salvar seu mandato e seu governo, em razão dos vínculos estreitos e perigosos mantidos com a organização chefiada por Cachoeira".

"O relatório demonstra com riqueza de detalhes, substanciado em provas amealhadas pela Polícia Federal durante vários meses de investigação e em documentos em poder da CPMI, que o governador Marconi Perillo havia firmado, já durante a campanha que o levou ao governo de Goiás, uma verdadeira parceria política e econômica com a sociedade Delta/Carlos Cachoeira naquele Estado", escreveu Tatto.

Anteontem, Perillo divulgou nota em que acusa Odair Cunha de ter produzido o "uma peça de ficção elaborada exclusivamente como instrumento de vingança". "Não há revanchismo, perseguição ou espírito de vingança por parte do relator. O relatório retrata uma situação que já se mostrava pública. Caberá agora ao governador explicar à sociedade o motivo que levou seu governo ser partilhado e, em grande parte, conduzido efetivamente pelo chefe de uma das maiores organizações criminosas já estruturadas no país", rebateu Tatto.

Em nota, o presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), afirmou que o relatório é uma ação do PT para se defender após o julgamento do mensalão. Para ele, há uma "ação deliberada" contra o PSDB e o governador Perillo. "A CPI tomou um rumo incoerente e sinuoso, cujo o resultado é a não investigação. O relatório apresentado é uma colcha de retalhos na qual fica reproduzida uma ação deliberada contra o PSDB e o governador Marconi Perillo, em meio à proteção dos verdadeiros envolvidos no escândalo", afirmou o presidente do PSDB. / E.L.

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