‘Trégua’ não cessa ataques no horário eleitoral

Candidatos mantêm críticas na TV; eles fazem sua despedida do palanque eletrônico nesta sexta

Isadora Peron e Ricardo Chapola, O Estado de S. Paulo

23 de outubro de 2014 | 21h59

Os candidatos à Presidência Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) chegam nesta quinta-feira, 23, ao último dia de horário eleitoral na TV sem respeitar o acordo formalizado anteontem por eles na Justiça Eleitoral de que fariam campanhas mais “propositivas” nas propagandas que ainda faltavam ir para o ar. 

Apesar da trégua firmada entre eles, Dilma e Aécio não deixaram os ataques de lado nos programas veiculados na tarde desta quinta. Segundo levantamento feito pelo Estado, o tucano dedicou à tarde 35% do total de seu tempo na televisão para fazer críticas à adversária. Já Dilma, por sua vez, reservou 31% do conteúdo para o mesmo fim. 

Na propaganda petista, Dilma diz que Aécio é um candidato sem propostas novas e o acusa de usar argumentos falsos. “Meu adversário não consegue apresentar propostas concretas para beneficiar a população brasileira. Mas ideias novas, que é bom, ele não tem nenhuma. No máximo, fala que vai fazer o que já estou fazendo”, diz a presidente no programa que foi ao ar na quinta à tarde. 

Já Aécio criticou a política econômica da presidente Dilma e os atrasos na obra de transposição do Rio São Francisco. 

O candidato também voltou a apresentar uma gravação em que acusa o PT de jogar a campanha na “lama”. “Eu não tenho o menor problema em aceitar críticas, isso faz parte do jogo político e de toda a campanha, mas quando a crítica se transforma em ataque e quando esse ataque se transforma em mentira e, mais grave ainda, quando a mentira é anônima, aí a campanha vai para a lama”, disse o tucano no programa de TV. 

Desde a volta da propaganda eleitoral, no dia 9 de outubro, Dilma e Aécio preferiram se autopromover, ou fazer críticas mútuas a apresentar propostas. 

A petista usou 57% do tempo de exposição para fazer autopromoção, 28% para criticar e apenas 10% para apresentar novos projetos. Já Aécio se autopromoveu em 54% do tempo, criticou em 24% dele e fez propostas em apenas 11% do conteúdo total veiculado na TV. 

Aécio também usou parte do seu tempo para se defender. Na quarta-feira, ele ocupou quase metade do programa para dizer que era vítima de “atentados” cometidos pelo PT. Ele também reafirmou o seu compromisso com programas sociais e rebateu as acusações de que não trataria com respeito as mulheres.

Até esta quinta, foram ao ar durante o 2.º turno 28 programas de Dilma e Aécio - metade transmitidos à tarde e a outra, à noite. 

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