Rodger Timm/Ascom PSDB
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TRE-RS concede direito de resposta a Eduardo Leite contra candidato do PSTU ao Piratini

Em entrevista, Júlio Flores culpou rival tucano, ex-prefeito de Pelotas, por mortes atribuídas a suspeita de fraude na saúde durante sua gestão

Filipe Strazzer, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2018 | 11h21

PORTO ALEGRE - O candidato do PSDB ao governo do Rio Grande do Sul nas eleições 2018, Eduardo Leite, obteve na Justiça Eleitoral direito de resposta contra o postulante do PSTU ao Palácio Piratini, Júlio Flores. O adversário do tucano culpou-o - em entrevista ao vivo à RBS TV, afiliada da Rede Globo no Estado - por mortes atribuídas a suspeitas de fraudes em resultados de exames de câncer na época que Leite foi prefeito de Pelotas (2012-2016). Cabe recurso.

Flores afirmou, no dia 14, que o tucano "fez um sorteio para escolher que mulheres poderiam viver ou morrer". Alertado por uma das entrevistadoras de que se tratava de uma acusação "muito grave", o candidato do PSTU manteve sua posição. "Estou (acusando) e sustento", disse.

Em julho, profissionais da saúde de Pelotas denunciaram que o laboratório contratado pelo município para realizar exames para detecção de câncer de colo de útero teria fraudado resultados entre 2014 e 2017, pois o número de análises negativas estaria muito acima do usual no período.

Segundo a decisão do desembargador eleitoral Jorge Alberto Schreiner Pestana, divulgada nesta quarta-feira, 26, Júlio Flores "extrapolou os limites constitucionais das liberdades de expressão e de informação ao realizar a análise de fato que se encontra em investigação, estabelecendo conexões que imputam responsabilidade direta a um candidato que nem sequer foi denunciado". Segundo o magistrado, "não se pode impingir ao candidato (Eduardo Leite) responsabilidade direta por fato que não se sabe que ele cometeu ou anuiu".

O Ministério Público Estadual instaurou inquérito para investigar o caso e aguarda resultado de perícia para dar prosseguimento à investigação. Eduardo Leite nega ter tido conhecimento do fato quando era prefeito da cidade e afirma que a suspeita não foi comprovada.

O desembargador eleitoral determinou a divulgação de um texto com a resposta do tucano - de até 1 minuto de duração - no mesmo telejornal em que a entrevista de Flores foi realizada, até 48 horas da publicação da decisão.

Procurada para comentar o caso, a campanha de Júlio Flores informou que não havia sido notificada da decisão mas que recorrerá.

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