TRE-RJ pede tropas federais para coibir milícias e tráfico

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) já pediu o envio de tropas federais para monitoramento da campanha em sete cidades da região metropolitana e do interior. A zona oeste da capital, área mais populosa da cidade e terreno quase totalmente controlado por grupos milicianos, e o complexo de favelas da Maré, que ainda está sob domínio de facções de traficantes, também receberão reforço das forças de segurança.

ALFREDO JUNQUEIRA / RIO , O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2012 | 03h10

O objetivo da Justiça Eleitoral fluminense é coibir abusos de candidatos e grupos políticos nessas regiões e garantir a segurança dos eleitores. O emprego das tropas federais nas eleições no Rio ainda depende da aprovação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Monitoradas. Entre as cidades monitoradas, estão Itaboraí e São Gonçalo. Os dois municípios passaram a atrair a cobiça de candidatos desde que a Petrobrás começou a construir na região o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) - um dos maiores investimentos estatais em andamento, previsto para entrar em operação em abril de 2015.

"O setor de inteligência dos órgãos envolvidos trouxe dados de investigações sigilosas que mostram que, em algumas regiões, a disputa poderia ser muito acirrada, com influência de milícia, de tráfico de entorpecentes", disse o presidente do TRE-RJ, desembargador Luiz Zveiter, que lidera o Centro de Controle e Comando das Eleições.

Além do TRE-RJ, integram o grupo a Secretaria de Segurança do Rio, as Polícias Federal e Rodoviária Federal, o Comando Militar do Leste e o Ministério Público Eleitoral (MPE). "A partir desses dados, resolvemos mapear esses locais, onde vamos intensificar a fiscalização num primeiro momento. Com a vinda das forças federais, nós vamos fazer uma segunda etapa, com a ocupação de algumas regiões", explicou o magistrado.

Também fazem parte da lista de cidades monitoradas Campos dos Goytacazes, reduto político da família do ex-governador e deputado federal Anthony Garotinho (PR) e que teve cinco prefeitos nos últimos sete anos, e Magé, cenário frequente de assassinatos políticos. Cabo Frio, Rio das Ostras e Macaé completam a relação de municípios monitorados. Para evitar que os grupos de milícia estabeleçam currais eleitorais no pleito deste ano, TRE-RJ já acertou parceria com a Divisão de Homicídios da Polícia Civil para atuar preventivamente nas áreas controladas pelos paramilitares. Dados repassados por informantes da polícia serão usados para neutralizar eventuais ameaças.

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