TRE-RJ lacra gráfica por acusação de desvio de dinheiro público

No local, foram apreendidos R$ 28 mil em dinheiro, materiais para campanhas eleitorais e oito computadores da empresa

Fernanda Nunes, O Estado de S. Paulo

10 de agosto de 2014 | 17h31

RIO - O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) lacrou, por tempo indeterminado, a gráfica High Level Signs, no Méier, na última sexta-feira, sob a acusação de que a empresa está envolvida em esquema de desvio de dinheiro público para a elaboração da propaganda de candidatos governistas da coligação PMDB, PP, PSC, PSD e PTB. Em especial, o TRE-RJ cita o ex-chefe da Casa Civil do prefeito Eduardo Paes (PMDB), o candidato a deputado federal Pedro Paulo (PMDB). 

Além dele, a empresa produzia material de campanha para o governador Luiz Pezão (PMDB), candidato à reeleição; para o deputado federal Leonardo Picciani (PMDB); a deputada estadual Lucinha (PSDB); e Rodrigo Bethlen (PMDB), envolvido em recentes denúncias de desvio de dinheiro público, entre outros políticos. 

O TRE-RJ informou também que foram apreendidos R$ 28 mil em dinheiro, material de campanha e oito computadores. O dinheiro vai ficar apreendido sob a custódia do TRE-RJ, que enviará o material irregular ao Ministério Público Eleitoral e ao Ministério Público Estadual. Segundo o tribunal, a High Level Signs aparecia também como beneficiária em pelo menos onze boletos bancários de pagamento da Secretaria de Estado da Casa Civil, com valor total de R$ 340 mil", informou. 

As investigações começaram após os candidatos Pedro Paulo e Lucinha (PSDB) espalharem placas no bairro de Sepetiba, na Zona Oeste do Rio. Como a tiragem declarada era pequena, a responsável pela fiscalização da propaganda, juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza, determinou a verificação do endereço da gráfica, mas no local funcionava apenas um salão de beleza, levando à suspeita de que a empresa era usada como "laranja". A poucos metros funcionava a High Level Signs.

Entre os documentos apreendidos estão ordens de serviço, com tiragem de placas, banners e panfletos menor que a quantidade realmente entregue aos candidatos, segundo o TRE. O Tribunal revela ainda que também há o email de um cliente, que pode revelar um provável esquema de maquiagem de CNPJ e lavagem de dinheiro.

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