Transportes abriga primo de ex-assessora

Rosemary pediu que Paulo Vieira indicasse parente para ex-estatal vinculada a ministério; ele continua no cargo

O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2012 | 02h00

A ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo Rosemary Noronha conseguiu indicar um primo para um cargo ligado ao Ministério dos Transportes, em 2009. Para conseguir a vaga, ela recorreu a Paulo Vieira, diretor afastado da Agência Nacional de Águas (ANA), preso na Operação Porto Seguro da Polícia Federal.

Marcelo de Lara Peixoto foi nomeado em 22 de dezembro de 2009 para um cargo na área de inventariança da extinta Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA), estatal responsável pelo transportes sobre trilhos no Brasil até 2007. A publicação de seu nome foi assinada pelo então ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR).

O primo de Rose continua no cargo, com salário de R$ 4 mil. Quatro servidores do ministério que haviam sido indicados pela suposta quadrilha foram exonerados na última terça-feira - incluindo o chefe de Marcelo, responsável por sua nomeação, José Francisco da Silva Cruz.

Com a ajuda de Paulo Vieira, Rose conseguiu que o primo fosse indicado para o cargo em menos de dois meses. Em 11 de novembro, ela enviou o currículo de Marcelo a Paulo Vieira, que o encaminhou a Cruz.

"Segue em anexo o currículo do nosso indicado para trabalhar nos trabalhos de inventário dos bens da ex-RFFSA no âmbito do Estado de São Paulo. Peço-lhe encaminhar com urgência ao Gab. do Sr. Ministro de Estado dos Transportes para fins de nomeação", escreveu Paulo a Cruz.

Dois meses antes, segundo a PF, Paulo havia pedido a Rose que acelerasse a nomeação de Cruz para a RFFSA.

Rose enviou três e-mails com cobranças a Paulo. "POR FAVOR faça algo para o meu primo ser nomeado antes do NATAL!", pediu em 16 de dezembro. Seis dias depois, a nomeação foi publicada.

O Ministério dos Transportes confirmou que Marcelo foi indicado por Cruz e que ele continua trabalhando na RFFSA. A pasta alegou que o cargo é "destinado exclusivamente à inventariança" e que "não integra a estrutura regimental" do ministério. A RFFSA não comentou o caso. / B.B.

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