Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Tragédia de Mariana fica fora da campanha em Minas

Atingidos pelo desastre ambiental na cidade mineira, que matou 19, reclamam da falta de propostas de candidatos ao governo estadual nas eleições 2018

Jonathas Cotrim, O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2018 | 05h00

MARIANA (MG) - Após quase três anos da maior tragédia ambiental do Brasil, o desastre em Mariana, no interior de Minas Gerais, passou longe da discussão eleitoral entre os candidatos ao governo do Estado nas eleições 2018. O rompimento de uma barragem da mineradora Samarco causou a morte de 19 pessoas e deixou 388 famílias desabrigadas.

O desastre chegou a ser abordado em um dos debates, mas de forma lateral, e nenhum candidato propôs alguma ação específica para a cidade. Dos nove candidatos ao governo, apenas dois passaram por Mariana durante a campanha.

Dirlene Marques (PSOL) esteve em Mariana logo no começo da campanha, no dia 17 de agosto. No entanto, não se reuniu com a comissão dos moradores atingidos pela tragédia. 

Antonio Anastasia, candidato do PSDB e líder nas pesquisas de intenção de voto, visitou a cidade nesta quinta-feira, 4. Em comício, Anastasia defendeu o retorno das operações da Samarco em Mariana. “Nós teremos novamente a Samarco funcionando, teremos empregos e o clima de normalidade de volta à cidade”, disse. 

‘Aversão’. A falta de debate sobre o problema enfrentado pela cidade fez com que parte dos atingidos pela tragédia adotem o discurso de “aversão” pela política. “A política abandonou a gente demais. Ninguém veio pedir voto. Entendemos que eles não querem se sujar de lama”, disse uma das líderes da Comissão dos Atingidos da Barragem de Fundão-Mariana, Luzia Nazaré Motta Queiroz.

O prefeito de Mariana, Duarte Júnior, do PPS, também acredita que a tragédia foi um tema negligenciado pelas campanhas. “Estamos falando de meio ambiente, de sustentabilidade. Acreditei que seria debatido, até porque tem também a importância para a economia.”

Em entrevista à Rádio Inconfidência, nesta quinta-feira, o governador e candidato à reeleição, Fernando Pimentel (PT), discordou da avaliação de que a tragédia não foi tratada de “maneira adequada” na campanha. Segundo ele, o acordo para o pagamento de indenizações às famílias já estava adiantado, mas foi contestado pelo Ministério Público. “Podia estar muito mais avançado se a gente tivesse mantido o acordo e evitado a briga”, disse.

Pimentel também defendeu o retorno à atividade da Samarco, “com sustentabilidade e com condições de segurança”.

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