'Todo mundo ficou à míngua', reclama líder peemedebista

Henrique Eduardo Alves relaciona insatisfação do partido a falta de recursos e rivalidade com ministros do PT

JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2012 | 03h04

A rebelião do PMDB contra a presidente Dilma Rousseff deve dar resultados. Chegaram à legenda recados de que as queixas serão ouvidas, depois da divulgação de um manifesto de deputados contra os avanços do PT sobre bases do PMDB e da derrota do governo no Senado na votação da proposta de recondução de Bernardo Figueiredo para a presidência da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

"Ficamos numa situação muito difícil", disse ao Estado o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). "Ministros do PT que dirigem ministérios com muito dinheiro, como o da Saúde e o da Educação, visitam as cidades nessa fase pré-eleitoral, juntam petistas e eleitores, e anunciam obras para isso e para aquilo, piso salarial para os professores, novas unidades de saúde. Isso só vinha ajudando o PT."

A partir de agora, informou Alves, a orientação é de que os ministros chamem também todos os aliados para a festança. "Nossos ministérios não dispõem de dinheiro para anunciar convênios. E alguns, como o do Turismo e o da Agricultura, que podem fazer isso com o pouco que têm, são tutelados pelo governo. Em um ano eleitoral não temos o que dizer aos prefeitos do PMDB. E eles cobram", continuou Henrique Alves.

Além do mais, segundo o líder, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, contingenciou todas as emendas dos parlamentares. E, em outubro do ano passado, foi negociada a liberação delas. "Todo mundo ficou à míngua e o ano é eleitoral. Só os ministros do PT é que vinham anunciando obras."

Fogo amigo. A derrota do governo no Senado não pode ser atribuída somente ao PMDB. O partido tem 18 senadores. Os votos contrários à recondução de Bernardo Figueiredo foram 36. De acordo com informação de senadores, integrantes de todos os partidos - até mesmo do PT - votaram contra a indicação feita pela presidente para a ANTT.

Em Minas Gerais houve comemoração da derrota de Dilma. O deputado Antonio Júlio, secretário-geral do PMDB estadual e líder do partido na Assembleia Legislativa, não se conteve. Escreveu no microblog Twitter: "Parabéns Valdir Raupp, Romero Jucá e PMDB pelo recado ao PT e à presidente Dilma, votando contra o governo. Chega dessa 'goela larga' do PT".

Desde o início de 2011 o PMDB aguarda a nomeação de 48 indicados por líderes do partido para cargos em estatais e no segundo escalão. A lista havia sido entregue ao então ministro Antonio Palocci (Casa Civil), que saiu em junho do governo. O PMDB suspeita que a lista sumiu quando Palocci limpou as gavetas.

Outros partidos da base aliada aproveitaram a votação para a ANTT e a revolta do PMDB para também mostrar insatisfação. O PC do B, por exemplo, luta desde o ano passado para nomear o farmacêutico Norberto Rech para uma diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas o governo não o atende.

Já o PDT teme perder o Ministério do Trabalho para a dobradinha PTB/PSC, que também reivindica a pasta.

E o PR não se conforma de ter sido chamado pela ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) para uma conversa, quando foi dito que até o dia 5 receberia um ministério ou veria seu desafeto Paulo Sérgio Passos fora do Ministério dos Transportes. Não aconteceu nem uma coisa nem outra.

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