'Todas as coisas têm de ser apuradas', defende Dilma

Presidente, contudo, não quis polemizar sobre o funcionamento da CPI; ela era contra, mas PT bancou comissão

TÂNIA MONTEIRO, RAFAEL MORAES MOURA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2012 | 03h01

Em meio à instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) do Cachoeira no Congresso, bancada pelo PT, mas contra a sua vontade, a presidente Dilma Rousseff evitou polemizar sobre o seu funcionamento, que investigará o envolvimento de políticos de diversos partidos e empresários com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

"Vocês acreditam mesmo que eu vou me manifestar, além das minhas múltiplas atividades que eu tenho de lidar todo dia, eu vou interferir na questão de outro Poder? E eu não me manifesto sobre outro Poder, mas de maneira nenhuma", declarou a presidente, ontem, em entrevista no Itamaraty. Dilma defendeu, no entanto, que "todas as coisas têm de ser apuradas".

Na sexta-feira da semana passada, a presidente Dilma reuniu-se com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula foi o principal incentivador da instalação da CPI, com o objetivo de abafar o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF).

O mensalão, em 2005, foi o maior escândalo político do governo do ex-presidente. A acusação é a de que parlamentares da base aliada votavam a favor de projetos de interesse do Palácio do Planalto em troca de uma remuneração mensal, conforme o relatório da CPI dos Correios.

Cautela. A presidente Dilma pediu cautela a Lula, temendo que a CPI possa respingar em seu governo, já que a principal empreiteira envolvida no escândalo do caso Cachoeira, a Delta, é a construtora com o maior número de obras do Programa de Aceleração Econômica (PAC).

"A CPI é algo afeto ao Congresso. O governo federal terá uma posição absolutamente de respeito ao Congresso nessa área", afirmou a presidente Dilma, sem querer emitir juízo de valor sobre as investigações que serão realizadas, mesmo diante da insistência da imprensa. No Palácio do Planalto, a preocupação principal é em relação às clássicas consequências de uma CPI, que todo mundo sabe como começa, mas ninguém sabe como termina.

Esta foi a primeira manifestação da presidente Dilma em relação à criação da CPI do caso Cachoeira pelo Congresso. A primeira reunião da comissão está marcada para a próxima quarta-feira.

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