Titular do Desenvolvimento Agrário é demitido e deputado do PT assume

Desempenho de Florence era criticado por movimentos sociais; troca por Pepe Vargas pode ajudar em composições com o PMDB no Sul

TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA, ROLDÃO ARRUDA / SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2012 | 03h03

A presidente Dilma Rousseff demitiu ontem o ministro do Desenvolvimento Agrário, o petista Afonso Florence, e o substituiu pelo deputado federal Pepe Vargas (RS), também do PT.

Florence vinha sofrendo ataques dos movimentos sociais, por causa da queda no número de assentamentos. Em 2011, conforme antecipado pelo Estado no dia 6, o programa de reforma agrária beneficiou apenas cerca de 22 mil famílias, a pior estatística nos últimos 16 anos.

Florence e Pepe Vargas pertencem à mesma corrente interna petista, a Democracia Socialista (DS), uma das mais radicais. Dessa forma, Dilma fez uma reacomodação em seu ministério, sem mexer nas posições reservadas a partidos e a alas petistas.

A troca poderá, ainda, facilitar a recomposição da presidente com o PMDB. Pepe Vargas era apontado como pré-candidato à Prefeitura de Caxias do Sul, uma das mais importantes cidades do Rio Grande do Sul, hoje comandada pelo PMDB. Os peemedebistas cogitavam não lançar candidato próprio no município, mas, nos últimos dias, o presidente nacional da sigla, senador Valdir Raupp, discutiu com lideranças locais a possibilidade de rever a estratégia e indicar um nome para a disputa.

Se o PT ficar fora do caminho, a estratégia peemedebista fica mais fácil. Até ontem, porém, os petistas ainda não descartavam a possibilidade de encontrar outro nome para a sucessão. Um dos nomes cotados é o da deputada estadual Marisa Formolo, que já concorreu em 2004.

Degola anunciada. Desde que foi anunciada a possibilidade de a presidente fazer uma reforma ministerial o nome de Florence aparecia na lista da degola.

Deputado federal de primeiro mandato, Florence volta à Câmara num momento em que a base de sustentação do governo vive um momento de conflagração. Nesta semana o PMDB da Câmara divulgou um manifesto com ataques ao PT, que estaria avançando sobre municípios dominados pelos peemedebistas.

Florence tornou-se ministro do Desenvolvimento Agrário por conta da desistência do senador Walter Pinheiro (PT-BA), também da DS, o primeiro a ser convidado para o cargo. Pinheiro disse a Dilma Rousseff que não gostaria de assumir um ministério, pois queria sentir o gosto de sentar-se na cadeira de senador, para a qual foi eleito.

Quem acabou definindo o nome para a pasta foi o governador Jaques Wagner (BA), que já trabalhou com Florence. Foi a primeira vez, desde a criação do ministério em 2003, que ele esteve sob comando de um político que não era do Rio Grande do Sul. Florence é baiano.

O assentamento de apenas 22 mil famílias no ano passado pelo programa de reforma agrária aumentou o descontentamento com a gestão de Florence na pasta. O ministro não foi poupado de críticas nem pelo próprio PT, cuja bancada agrária tem fortes vinculações com o Movimento dos Sem Terra (MST).

Médico. O deputado Pepe Vargas é formado em medicina. Um dos seus padrinhos para o cargo é o ex-ministro Miguel Rossetto, também ligado à DS.

No Incra, órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e responsável pela execução da reforma agrária, a indicação foi bem recebida.

Comenta-se que, pelo fato de ser originário de uma família de pequenos agricultores e de um Estado com forte tradição nesta área, Vargas poderá ter um desempenho melhor que o do antecessor.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.