Testemunha diz que só fala nomes ao Ministério Público

Presidente de ONG envolvida no suposto esquema de venda de emendas diz que 'corre risco de vida'

O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2011 | 09h28

Citada no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) como testemunha-chave do suposto esquema de venda de emendas, a presidente da ONG Centro Cultural Santa Teresinha, Teresinha Barbosa, afirmou ontem que, a depender do desenrolar de sua conversa com o promotor que investiga o caso, poderá citar ao Ministério Público nomes de deputados que estariam desviando dinheiro destinado a emendas parlamentares. Teresinha, no entanto, se recusa a dar nomes à imprensa e à própria comissão de Ética da Alesp.

"Não falei nomes e nunca vou falar. Não sou a palmatória para consertar o mundo", afirmou Teresinha, que em seguida ponderou a possibilidade de citar nomes à Promotoria, desde que haja condições de segurança à sua própria integridade.

"Lá no Ministério Público é outra coisa. Não sei como é lá. Vou conversar com o promotor. Você sabe muito bem que a gente corre risco de vida, né?", disse.

A presidente da ONG disse que não quer, com isso, desmentir o depoimento do deputado Major Olímpio (PDT), único a comparecer pessoalmente até agora no Conselho de Ética e responsável por levar seu nome à comissão. "Não desmenti o Major. Eu falei pro Major. Foi em 2007. Mas graças a Deus não falei nenhum nome pra ele."

Medo. Teresinha se recusou a dar qualquer informação complementar que pudesse ajudar a chegar no nome do deputado que lhe pediu para prestar contas em nome de outra entidade, como a legenda à qual pertence. "Não! Tu é doido? Você acha que eu vou dizer partido de deputado? Deus me livre!"

A presidente da ONG afirmou que apenas uma vez ouviu de um parlamentar proposta para que ajudasse, com o dinheiro da emenda, outra entidade que ainda não tinha os requisitos legais para receber verba governamental. "Foi a primeira vez que eu fui pedir dinheiro", disse.

Teresinha afirmou ainda que compareceria à Comissão de Ética da Assembleia Legislativa caso fosse convidada. "Se me chamarem, eu vou. Não devo nada para ninguém", afirmou.

Tida pelo deputado Major Olímpio como "pessoa de confiança" do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), a dirigente da entidade apressou-se em dizer que não foi procurada por ninguém do Palácio dos Bandeirantes para que se calasse. "Negócio dessas emendas não tem nada com o Alckmin, foi no tempo do (José) Serra (ex-governador do Estado)! O Alckmin nunca nem falou de emendas."

Na noite de ontem, Teresinha concedeu a primeira entrevista a um canal de televisão. Ao Jornal da Gazeta, da TV Gazeta, a líder comunitária de Vila Castelo, na zona sul de São Paulo, reiterou o que já havia declarado anteriormente; "O esquema existe". Afirmou, também, temer represálias caso cite nomes. / F.G.

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