Tesoureiros reclamam de 'seca' na arrecadação

Passado 1/3 da campanha do primeiro turno, candidatos conseguiram 1,6% do previsto

O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2012 | 03h07

Passado um terço do período eleitoral, as cinco principais campanhas em São Paulo arrecadaram apenas 1,6% do total estabelecido como teto de gastos, e recorrem a diferentes estratégias para tentar contornar a seca financeira. Todos os partidos reclamam da falta de verbas e dizem que é a mais lenta arrecadação da qual já participaram.

Até agora, José Serra (PSDB), Fernando Haddad (PT) e Gabriel Chalita (PMDB) conseguiram R$ 4,7 milhões em doações. Soninha Francine (PPS) recebeu R$ 23 mil. Celso Russomanno (PRB) não obteve nenhuma. O valor dos tetos dos cinco, somados, é R$ 292,5 milhões.

Desde anteontem a reportagem pede ao TSE os dados da primeira parcial de arrecadação da campanha de 2008, mas o tribunal não os forneceu.

Dirigentes partidários ouvidos pelo Estado culpam a proximidade do julgamento do mensalão, o desfecho da CPI do Cachoeira, a falta de máquina - em alguns casos - e as férias de julho pela dificuldade de arrecadação.

Segundo algumas campanhas, parte do empresariado anda assustada com os efeitos que a punição e a publicidade dos escândalos de corrupção podem ter nas empresas.

"Do mensalão para cá piorou muito", diz um presidente de partido, para quem o caso Cachoeira agravou ainda mais o cenário. "A Delta quebrou! Os empresários estão pensando dez vezes antes de doar, mesmo no caixa 1. Se depois aparece um político enrolado, leva a empresa para o buraco."

O PT se socorre no tesoureiro do diretório nacional, João Vaccari, arrecadador da campanha da presidente Dilma Rousseff em 2010. Mesmo torpedeado pelas acusações que pesam contra ele no caso da cooperativa Bancoop, Vaccari continua sendo o principal interlocutor petista com o empresariado.

Pela estratégia desenhada nacionalmente, ele é o responsável pelo diálogo com os grandes doadores - em sua maioria, bancos e construtoras -, de recursos que serão destinados não apenas à campanha de Haddad, mas também das de Patrus Ananias em Belo Horizonte e de Humberto Costa em Recife.

Um petista afirmou ao Estado que durante a semana passada, uma ordem chegou a ser emitida para a suspensão de qualquer gasto planejado na campanha do partido em São Paulo.

No front tucano, a equipe de Serra usará a mesma estratégia da campanha nacional de 2010, já que o time financeiro é composto quase pelas mesmas pessoas. O principal arrecadador é Sérgio Freitas, ex-vice-presidente do Banco Itaú. Também ajudam o candidato a vereador Andrea Matarazzo e o tesoureiro do PSDB nacional, Marcio Fortes.

Há, no entanto, uma diferença. A campanha para a Prefeitura conta com a ajuda do prefeito Gilberto Kassab (PSD), que tem bom trânsito com empresários paulistanos. Os tucanos esperam que doadores da campanha do prefeito em 2008 também contribuam com Serra.

Em 2008, o Kassab levantou R$ 29,8 milhões, principalmente com construtoras. Os tucanos também engrossam o coro dos que afirmam que os doadores "tiraram o pé do acelerador". Avaliam ser pouco provável atingir o teto de R$ 98 milhões - a campanha arrecadou até o final do mês R$ 1,9 milhão. Mas dizem que, mesmo num cenário menos farto, a campanha não deixará de cumprir com o planejado. "Não haverá comícios como os de Obama, mas eventos bem estruturados", afirma um tucano.

Dificuldades. Único dos cinco que até agora não conseguiu doações, Celso Russomanno escalou o presidente municipal do PRB, Aildo Rodrigues, ex-diretor do banco Renner - comprado pelo Grupo Record -, para centralizar as finanças da campanha. Ele conta com a ajuda de outros líderes do PRB, como o presidente estadual Vinícius Carvalho, que também reclama da seca financeira. "As doações das empresas ainda estão nas promessas. Até agora não há nada de concreto."

A campanha de Gabriel Chalita também passa por dificuldades. "Os recursos estão chegando a conta-gotas", conta um peemedebista. "Não temos máquina, e a Prefeitura e o Estado estão parados, sem obras."

Soninha Francine tentará, como alternativa às doações tradicionais, a arrecadação pela internet, por meio de pagamento com cartões de débito. "Está muito difícil. Queremos ver se o diretório nacional nos ajuda", diz Carlos Fernandes, tesoureiro do PPS. / FELIPE FRAZÃO, FERNANDO GALLO, JULIA DUAILIBI e RICARDO CHAPOLA

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