Terenas vão a Brasília e querem falar com Dilma

Grupo de 30 índios partiu de Sidrolândia, em MS; Justiça suspendeu reintegração de posse

Pablo Pereira e Lucia Morel

06 Junho 2013 | 02h09

Um grupo de 30 índios deixou ontem a região de Sidrolândia (MS) em um ônibus e espera chegar na manhã de hoje a Brasília. Os indígenas partiram com a expectativa de serem ouvidos pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo - que ontem foi a Campo Grande e sobrevoou a fazenda ocupada pelos terenas -, mas querem mais: vão pedir uma audiência com a presidente Dilma Rousseff.

Ao chegar a Mato Grosso do Sul, às 8h40 (horário local), Cardozo soube que a Justiça Federal havia suspendido a reintegração de posse da Fazenda Buriti, onde o índio Oziel Gabriel, de 35 anos, foi morto na semana passada. O irmão caçula da vítima, Deones Gabriel, está no grupo que viajou para Brasília.

Para Cardozo, a solução para conflitos indígenas como o de Mato Grosso do Sul não depende apenas de "vontade política" nem será obtida com "varinha mágica". "O Estado brasileiro, o Ministério Público, o Judiciário, os Poderes Executivos Federal e Estadual têm que pactuar uma saída para esse impasse."

Da Base Aérea de Campo Grande, o ministro seguiu de helicóptero para Sidrolândia com o governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), do superintendente da Polícia Federal no Estado, Paulo Marcon, e do secretário estadual de Justiça, Wantuir Jacini.

Vigília. A aeronave não pousou na região do conflito, onde desde o início do dia cerca de 200 terenas faziam vigília na entrada da fazenda Buriti. à espera da tropa de 110 homens da Força Nacional enviada pelo governo federal. "Vamos ouvir o que eles têm para dizer e ver como é que eles chegam aqui", afirmou Otoniel Gabriel, um dos líderes dos índios. Com a reintegração de posse suspensa, as forças de segurança não foram à fazenda invadida. Mas, ao longo da manhã, ônibus levavam índios de outras etnias, dispostos a ajudar os terenas na ocupação da Buriti.

Do lado dos fazendeiros, o dia também foi tenso. Pela manhã, proprietários rurais que tiveram terras ocupadas nos últimos dias tentaram carregar o gado para fora da área de conflito.

"O meu prejuízo está em torno de R$300 mil", disse Rubens do Amaral Júnior, que transferiu cerca de 900 cabeças pela manhã em caminhões carregados na fazenda ao lado da Buriti. Ele arrendava parte da fazenda Lindoia, na qual os terenas entraram depois do assassinato de Oziel. "Eles falaram pro funcionário: vai embora. Só deu tempo de ele pegar uma motinho. Ficaram com tudo, trator, tralhas de arreio, casa, tudo", contou Amaral.

De acordo com o produtor rural, no dia seguinte os índios passeavam com o trator confiscado da propriedade. "Ainda tem lá umas 70, 80 novilhas. Eles levaram umas 200 cabeças para a aldeia deles."

No fim da manhã, já de volta a Campo Grande, Cardozo se reuniu com indígenas acampados ao lado do Jóquei Clube da cidade. Lá, recebeu documentos que reivindicam a celeridade na demarcação de terras e também reclamação contra o projeto de Emenda Constitucional 215, que transfere ao Legislativo o poder de decisão dobre a demarcação de terras.

Apesar de afirmar que saiu de Mato Grosso do Sul "esperançoso" de ter passado a mensagem de "redução da violência", Cardozo reconheceu que "evidentemente o problema ganha cada vez mais contornos explosivos à medida que ele não é resolvido". "A primeira tarefa é fazer com que as pessoas percebam que não podem agir com violência", disse o ministro.

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