Terapeuta não era enteada de Mendes à época de recontratação

Funcionária do governo do Distrito Federal, ela entrou num corte em 2007, mas foi reconduzida ao cargo logo em seguida

O Estado de S. Paulo

11 de setembro de 2014 | 22h01

Atualizada às 22h30

A assessoria do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes afirmou nesta sexta-feira que a terapeuta ocupacional Larissa Feitosa, que foi excluída de uma lista de demissão em massa por meio de um decreto do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (PR), em janeiro de 2007, não era enteada dele na época.

Na sexta, o Estado informou que em 1.º de janeiro de 2007, assim que assumiu o cargo, o então governador assinou o decreto 27.592, publicado em edição extra do Diário Oficial do Distrito Federal, no qual exonerou “todos os ocupantes de cargos comissionados e funções de confiança nomeados até 31 de dezembro de 2006” das estruturas administrativas locais, num total de cerca de 16 mil postos. Apenas os comissionados do aparato de segurança pública do DF, da Procuradoria-Geral do DF e da Subsecretaria de Direção do Diário Oficial foram excluídos. Outro decreto, de 19 de janeiro, de número 27.653, excluiu nove pessoas da incidência do decreto anterior, entre elas a hoje enteada do ministro, que na época ocupava o cargo de assessora da Coordenadoria de Saúde do Sistema Prisional, órgão da Subsecretaria de Atenção à Saúde da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal. Atualmente, Larissa é servidora concursada.

Segundo a assessoria do ministro do STF, à época da edição do decreto, a mãe da servidora, a advogada Guiomar Feitosa, sequer namorava Gilmar Mendes. O namoro teve início em janeiro de 2008 e casaram-se em outubro desse mesmo ano. “Se a Larissa não foi exonerada, deve-se ao excelente desempenho dela e também ao fato de que ninguém da área de saúde queria se sacrificar nessa função. Afinal, quem quer cuidar de saúde de presos?”, diz a nota. “Diga-se, aliás, que se trata de uma atividade penosa. Ela cuida, entre outros, de homicidas, estupradores e pedófilos”, informa ainda o texto.

De acordo com Guiomar, a filha é uma profissional muito dedicada e que executa uma tarefa muito difícil na penitenciária da Papuda, no Distrito Federal.

Na noite de quinta-feira, Gilmar, que também é vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foi o único ministro que votou a favor de recurso em que Arruda pedia que fosse modificada a decisão da corte que indeferiu registro de candidatura do ex-governador para concorrer nas eleições deste ano ao governo do Distrito Federal. Arruda teve o registro formalmente negado pelo TSE. Na terça-feira, Gilmar havia feito um pedido de vista que adiou o julgamento.

Desabafo. Ainda na noite de anteontem, no plenário do TSE, Gilmar desabafou sobre a reportagem a respeito da enteada. “É preciso denunciar isso. Com dinheiro público financiam-se esses bandidos para fazer esse tipo de ataque baixo, vil”, disse, sem especificar quem seriam os “bandidos”. “E alguém vem a ser atacado por um pedido de vista no TSE. Quanta vagabundagem!”

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