Tensão e falta de tempo 'derrubam' candidatos em Salvador

João Henrique Carneiro e Walter Pinheiro enfrentam maratona de caminhadas e estão mais magros

Tiágo Décimo, de O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2008 | 20h58

Dois dias antes do primeiro turno da eleição à prefeitura de Salvador (BA), João Henrique Carneiro (PMDB), candidato à reeleição, cumpria sua segunda caminhada do dia, no bairro da Liberdade, quando foi parado por uma mulher. "O senhor vai vencer no primeiro turno", disse ela. Ele parou, olhou para ela, pegou em sua mão, suspirou e respondeu: "Tomara. Estou muito cansado."   A previsão da eleitora não se confirmou - e parece não haver mais meios de disfarçar o cansaço tanto dele quanto de seu opositor no segundo turno, Walter Pinheiro (PT). Nem a pele curtida pelo sol, por causa das duas caminhadas diárias que os candidatos fazem, em média, por bairros soteropolitanos, nem a maquiagem cada vez mais robusta, aplicada para as aparições televisivas de ambos, tem conseguido disfarçar as olheiras e o semblante abatido.   As coordenações de campanha de ambos evitam o tema, para não passar a imagem de fraqueza dos candidatos, mas entre familiares dos políticos, o tema é recorrente. A mulher de Carneiro, a deputada estadual Maria Luiza Carneiro, disse, ao fim do primeiro turno, que o marido havia perdido "mais de dez quilos" na campanha. A de Pinheiro, Ana Celeste, chega a brincar com a situação. "Deve ter perdido 13 quilos", diz, em alusão ao número do partido do candidato.   Dos dois lados, o emagrecimento e o cansaço têm relação direta com o estilo de campanha que os candidatos empreenderam em Salvador. Em vez de carreatas e grandes comícios, as coordenações de campanha optaram por fazer corpo a corpo quase sem paradas entre os políticos e a população, com caminhadas e pequenos discursos feitos diariamente. Houve momentos em que os candidatos chegaram a fazer quatro caminhadas em um dia, de pelo menos meia hora cada, por bairros diferentes.     A agenda, além de forçar Carneiro e Pinheiro a intensa atividade física, desregulou horários de refeição, segundo seus familiares. Os dois passam o dia cercados por frutas e barras de cereais, para não perder tempo com almoços e jantares. Soma-se a isso a ansiedade e a tensão naturais de uma situação de disputa eleitoral.   Como resultado, o petista, que costuma ter um olhar entre o concentrado e o mal-humorado, hoje parece triste, por mais que tente manter o sorriso aberto. O peemedebista, que chama a atenção por causa dos olhos quase sempre arregalados, vidrados, já não consegue mais se manter por poucos segundos sem piscar. Seu tom de voz também mudou, ficou mais baixo.   Segundo os assessores, ambos ainda gozam de ótima saúde. Pelo sim, pelo não, porém, nenhum deles foi às ruas hoje (quinta-feira), data do primeiro debate televisivo do segundo turno soteropolitano, que teria início às 22 horas. Afinal, não seria bom parecer sem ânimo em plena reta final da disputa.

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