'Tenho que estar junto do povo que nos apoia'

Deputado afirma que movimentos não são ingênuos e nunca se dispuseram a ser massa de manobra do partido

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2012 | 03h02

O jornalista e deputado Rui Falcão iniciou sua carreira política na área sindical e foi um dos fundadores da Central Única dos Trabalhadores (CUT), na década de 1980. Desde que assumiu o cargo de presidente do PT, ano passado, ele tem dito que o partido precisa se aproximar mais do sindicalismo e dos movimentos sociais, que deram origem à sigla. Nesta entrevista ele apresenta os motivos que o teriam levado a intensificar contato com esses movimentos.

O que o levou a iniciar esse movimento de aproximação?

Tenho formação de esquerda, fui militante do sindicato dos jornalistas, ajudei a fundar a CUT e sempre tive boas relações com o MST e a CUT. Era natural que quisesse ter uma aproximação maior com esse povo. O segundo componente é o fato de que o PT precisa ter suas lutas mais próximas dos movimentos.

É aí que entram os movimentos sociais?

Tenho que estar junto desse povo que nos apoia, que tem valores semelhantes aos nossos. Nós apoiamos o governo, mas precisamos de agenda própria.

E quanto à agenda dos sindicatos e movimentos sociais?

Nossa agenda está muito próxima da agenda deles. Temos que ficar ao lado da CUT e de outros setores do movimento sindical para reduzir a jornada de trabalho sem cortar os salários. O governo pode avaliar que conjunturalmente isso não é conveniente para o País, mas podemos dialogar com o governo. Podemos chegar para a CUT e dizer que esse não é o melhor momento para levar adiante essa luta. Esse é o papel do partido. Se não dialogar com os movimentos, você fica sem força para dialogar com o governo.

O interesse do PT não seria mobilizar os movimentos para enfrentar o PMDB?

Não. Primeiro porque não se pode atribuir a nós essa visão instrumental, essa ideia de que se pode manipulá-los. Sempre achamos que os movimentos têm autonomia, dinâmica própria. Em segundo lugar, porque seria atribuir a eles uma ingenuidade e disposição de servir ao PT que nunca tiveram. Eles nunca se dispuseram a ser massa de manobra.

E se houvesse coincidências entre os objetivos?

Aí seria uma coisa combinada. No caso da reforma política, os principais pontos que defendemos são os mesmos que eles defendem.

Mas vocês acreditam na força das mobilizações.

Apresentamos um programa de TV, no fim do ano, todo voltado para a questão das mobilizações. O PT aposta na mobilização do povo para promover reformas. / R.A.

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