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Tempo e temperatura

"Se as eleições fossem hoje", dizem as pesquisas de intenções de voto, a presidente Dilma Rousseff seria eleita no primeiro turno. O problema da premissa é que ela prejudica a conclusão do raciocínio, dado que as eleições não se realizam hoje nem amanhã, mas daqui a quase um ano.

Dora Kramer, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2013 | 02h07

E nesse período tudo pode mudar. Que o diga José Serra. Ficou por longo tempo no patamar dos 40% na preferência do eleitorado e perdeu para Dilma, que precisou da força da alavanca do então presidente Lula da Silva para alcançar os dois dígitos nas pesquisas e daí deslanchar, já no ano da eleição, quando mudou a temperatura.

A imprevisibilidade é inerente à política. Aquela história das nuvens: a cada momento que se olha para o céu, estão em posições diferentes. Assim também pode ser visto o cenário eleitoral.

Uma temeridade, portanto, tomar como projeção fiel das urnas os números de hoje. A começar pelo fato de que se nem Lula, que saiu do governo com estupendos 83% de aprovação, venceu suas duas eleições em primeiro turno, não é de se comprar a tese de que Dilma, com 39%, teria essa garantia.

Previsões podem ser muito desobedientes. Em julho, logo após a presidente perder considerável porcentual de eleitores dispostos a reelegê-la, o tido como infalível marqueteiro João Santana previu que em quatro meses Dilma estaria plenamente recuperada do "terremoto neopolítico" (expressão usada para definir os protestos do mês anterior) que assolou o País.

Vencido o prazo, a profecia não se realizou. Dos 55% que tinha em junho, a presidente foi para 38% em agosto e lá estacionou desde então.

O que não quer dizer que não possa subir quando a campanha começar. Vale para ela, mas vale também para os adversários que necessariamente não permanecerão onde estão.

Duelo. O embate direto entre o ex-presidente Lula da Silva e o governador Eduardo Campos já começou. Enquanto o petista roda o País em busca do apoio do setor rural, atuando no vácuo do recuo à aproximação com o PSB em decorrência das divergências de Marina Silva com representantes do agronegócio, Campos investe na ocupação do espaço aberto pela desconfiança do empresariado, digamos, urbano, em relação aos meios e modos da presidente Dilma Rousseff.

Lula vai nesta semana a Mato Grosso do Sul para se reunir com empresários da área agrícola e conversar também com gente ligada aos outros setores a fim de convencê-los a se reaproximar do governo e apoiar a reeleição de Dilma sob o argumento de que ela não é assim tão intervencionista nem avessa ao diálogo como eles pensam.

O governador de Pernambuco faz seu périplo principalmente em São Paulo, onde já conta com a simpatia de boa parte do chamado grande capital, e na semana passada reuniu-se em Londres com investidores para dizer que o Brasil vive uma crise de expectativas e defender que o País tenha um ambiente de negócios "mais saudável" e com "regras mais claras".

Chumbo trocado. Culpas no cartório à parte, fato é que denúncias de corrupção em São Paulo dizimam aliados que o PT não considera convenientes. Na eleição municipal, o atingido foi Gabriel Chalita, no início do voo para uma possível candidatura pelo PMDB à Prefeitura da capital.

Para 2014, Gilberto Kassab vê sua postulação à disputa ao governo paulista pelo PSD ser enterrada sob os escombros do escândalo da Máfia dos Fiscais do serviço de arrecadação de Impostos Sobre Serviços e concessão de habite-se para imóveis de alto padrão.

Reservadamente, ambos veem a ação do PT, mas nenhum dos dois se anima a partir para um revide público. Ao estilo de Roberto Jefferson.  

 

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