Tempo de propaganda eleitoral no rádio e na TV foi decisivo no 1º turno

Entre os candidatos nas capitais que dispunham do 1º ou 2º maior tempo na TV, 71% ficaram em 1º ou 2º lugar na apuração

Daniel Bramatti, de O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2012 | 03h06

Como já havia ocorrido na eleição de 2008, os porcentuais de votos e tempo de exposição no horário eleitoral andaram juntos no 1.º turno de 2012. A maioria dos candidatos eleitos ou que passaram para o 2.º turno está também entre os que apareceram mais nas propagandas de rádio e TV.

Dos candidatos que tinham o primeiro ou o segundo maior tempo de TV nas capitais, 71% ficaram em primeiro ou em segundo lugar na apuração dos votos. Ao analisar os porcentuais de votos e de exposição no rádio e na TV de todos os 191 candidatos nas 26 capitais do País, a matemática revela uma forte correlação entre as duas taxas.

Em uma escala que vai de -1 a 1, a correlação entre voto e exposição ficou em 0,74. Em termos estatísticos, quanto mais próximo o resultado for de 1, maior a correlação - considera-se que ela é "forte" quando fica entre 0,70 e 0,89. Em 2008, a correlação foi ainda mais alta: 0,84. A queda neste ano se deve a algumas "zebras", candidatos que tiveram bom desempenho apesar da baixa visibilidade no horário eleitoral, como Edmilson Rodrigues (PSOL), em Belém, Lindomar Garçom (PV), em Porto Velho, e Ratinho Jr. (PSC), em Curitiba.

Dos 191 candidatos, 52 tiveram diferença inferior a três pontos porcentuais entre suas taxas de exposição e de votos. O gráfico mostra o resultado de um estudo com todos os 366 candidatos que disputaram as prefeituras de capitais em 2008 e 2012. O Estadão Dados tabulou informações de todos com base no número absoluto de inserções na TV que cada candidato ocupou na televisão.

As inserções - peças publicitárias exibidas nos intervalos comerciais das emissoras de rádio e TV - são o instrumento mais efetivo do marketing político, pois atingem população que "foge" do horário eleitoral fixo. Os números mostram que, no consolidado das duas últimas eleições, apenas 2% dos candidatos com menos de 50 inserções de 30 segundos por semana chegaram ao 2.º turno ou venceram. Na outra ponta, a taxa de êxito chegou a 74% entre aqueles com 150 inserções por semana ou mais. O total distribuído entre os candidatos foi de 420 inserções por semana.

As evidências de correlação entre TV e voto não permitem, porém, concluir que a propaganda é o único fator a influenciar as eleições. Como o tempo do horário eleitoral é distribuído conforme o tamanho do partido, candidatos com maior exposição são os de legendas ou coligações fortes. Com isso, é provável que sejam mais conhecidos e recebam mais doações de campanha.

Também é fato que alguns candidatos são menos dependentes do horário eleitoral que outros. Em São Paulo, Celso Russomanno (PRB) liderou a corrida pela Prefeitura por quase toda a campanha apesar de ter só 7% da propaganda. O campeão no quesito aproveitamento foi Marcelo Freixo (PSOL), no Rio: com apenas 5% da propaganda, obteve 28% dos votos.

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