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Tempestade perfeita

Antes uma possibilidade, com o sentido de alerta aos gestores, a tempestade perfeita - a conjugação de erros na gestão econômica interna com fatores externos de influência negativa - parece ter chegado para o governo Dilma Rousseff, acrescida de sua versão política.

João Bosco Rabello, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2014 | 02h04

O ex-ministro Delfim Neto considerava, tempos atrás, que a tempestade perfeita ocorreria no Brasil se a deterioração da economia resultasse no rebaixamento da nota de crédito do país, sinalizando para risco maior aos investidores, já distanciados pela desconfiança com o governo.

O rebaixamento acaba de ocorrer em um cenário de aumento dos gastos públicos, inflação em alta, contas maquiadas e ajustes fiscais adiados por conveniência eleitoral. Outro dado que, por si só, bastaria para deflagrar a crise, se junta agora ao contexto: a depreciação do capital político e econômico da Petrobrás.

Depois de ocupar a 12.ª posição entre as empresas de maior valor de mercado no planeta, a Petrobrás caiu para a 120.ª - nada menos que 100 posições. E viu sua imagem de maior símbolo nacional, que a fez carro-chefe da propaganda política de todos os governos, inclusive o atual, abalada por evidências de corrupção produzidas no âmbito de sua diretoria.

O estopim da crise foi a própria presidente da República, ao se dizer ludibriada pela diretoria da empresa, materializando uma denúncia de fraude que pôs sob suspeita de corrupção a operação comercial de compra da refinaria de Pasadena, no Texas. Nenhum mérito, pois, à oposição, nessa grave revelação sobre a Petrobrás.

É onde começa a tempestade política com a junção de um escândalo de corrupção, gerador de uma CPI a sete meses da eleição, a uma insatisfação crescente espalhada pelas áreas de educação, saúde, segurança, meio ambiente e desemprego, entre outras registradas pela última pesquisa como fatores da queda de aprovação do governo de 43% para 36%.

O quadro ainda não retira à presidente a condição de favorita, como mostra a permanência de seu índice de 43% na corrida presidencial, mas o consolida como teto, diante das dificuldades de reversão dos fatores adversos que construiu.

O índice sempre foi de risco para quem tenta a reeleição, agravado pela constatação de que o governo começa a perder a corrida contra o relógio, síntese para a estratégia adotada de adiar as consequências da gestão temerária da economia, contaminada pela campanha eleitoral antecipada.

A crise deu à oposição uma CPI que o governo tenta inviabilizar ampliando a investigação para além da Petrobrás, velho recurso para reduzir danos, que não lhe poupa, contudo, do ônus de confessar que tem o que esconder.  

 

Alvoroço. A confirmação da candidatura de Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) ao governo do Rio Grande do Norte antecipou a disputa pela sua sucessão. O mais assanhado é o petista Marco Maia, antecessor de Henrique Alves no cargo, que, por ora, negocia no âmbito de seu partido. Por fora, sem admitir ainda, corre o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ).

Em famílias. Para fazer do irmão Ciro, senador, o governador do Ceará, Cid Gomes, deverá renunciar e apoiar o senador Eunício Oliveira (PMDB), líder nas pesquisas, à sua sucessão. A operação irrita o PT que pretendia o Senado para o deputado José Guimarães, irmão de José Genoino, e quis fazer Eunício ministro para tirá-lo do páreo. 

 

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