Temperamento de Dilma é fonte de inspiração

A fama de durona de Dilma Rousseff ultrapassou os gabinetes do Planalto e fez surgir, no primeiro ano de mandato, sátiras que ora exploram o temperamento explosivo da presidente, ora tentam mostrar o lado mais sensível da mulher que comanda o País.

ISADORA PERON, O Estado de S.Paulo

01 de janeiro de 2012 | 03h04

Na internet, os vídeos mais famosos são os do site Kibe Loco. Neles, o humorista Gustavo Mendes - devidamente travestido de Dilma, com direito a tailleur vermelho e maquiagem - faz ligações para pessoas que, digamos assim, mereceriam receber um pito da presidente.

O primeiro alvo dessa Dilma que adora falar palavrões foi o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) que, em março, deu declarações polêmicas sobre os homossexuais. Recentemente, em outubro, quem recebeu o temido telefonema foi o então ministro do Esporte Orlando Silva, afastado após denúncias de corrupção.

Para compor o personagem, Mendes conta que passou vários dias assistindo a discursos e entrevistas de Dilma. "Percebi que ela foi mudando ao longo do tempo. A Dilma ministra era mais séria, sisuda." Já a Dilma candidata, diz ele, ficou mais parecida com o ex-presidente Lula: "Mais alegre, falante". Por fim, ele afirma que a Dilma presidente é mais política e mais "natural".

Neste ano, a presidente também ganhou um perfil falso no Twitter. O @diImabr, que troca o l do nome pelo i maiúsculo, criado por um estudante carioca, tem mais de 24 mil seguidores e costuma postar mensagens sobre a vida pessoal da presidente e o momento político. No dia do aniversário de Dilma, em 14 de dezembro, soltou: "Lupi tá no portão com os outros ministros demitidos tentando entrar de penetra. Já mandei a segurança jogar spray de pimenta neles". Carlos Lupi foi um dos sete ministros afastados pela presidente.

Com um foco diferente, o Diário da Dilma, publicado mensalmente pela revista Piauí, mostra um lado mais romântico da presidente: novelas, roupas, dieta e até uma paixão platônica pelo ministro de Minas e Energia, Edson Lobão. "A graça é você imaginar a Dilma fazendo as coisas que estão escritas no diário. Porque você tem uma imagem dela mais exigente, e aí vê outro lado da Dilma, o mulherzinha. É legal criar esse imaginário", conta Renato Terra, repórter da revista que se autointitula ghost-writer não oficial da presidente.

Para escrever o diário, Terra conta que costuma acompanhar o noticiário sobre a presidente, mas também que recebe algumas informações de bastidores. Segundo ele, "tem coisas ali que parecem que são inventadas, mas aconteceram de verdade".

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