Washington Alves
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‘Temos de mostrar que há alternativa’, diz sócio da Localiza

Empresário Salim Mattar declarou seu voto em João Amoêdo (Novo)

Entrevista com

Salim Mattar, sócio da Localiza

Renata Agostini, O Estado de S.Paulo

02 Setembro 2018 | 03h00

Avesso a candidaturas de esquerda e fiel ao ideário liberal, o empresário Salim Mattar, sócio-fundador da Localiza, evita criticar Jair Bolsonaro (PSL), mas diz que escolheu João Amoêdo (Novo) por “uma questão de princípios”. “Temos de mostrar que há um partido alternativo que, se não for agora, na próxima vai chegar ao poder”. Confira a entrevista.

Por que votar em João Amoêdo?

O João significa uma disrupção no modus operandi da política brasileira, do “toma lá, dá cá” para um regime de ética, de valorização do cidadão e de mais cuidado com a coisa pública. A medida que o João está sendo conhecido por suas ideias, mais adeptos ele tem ganhado. Claro, ele não está num grande partido, não tem tempo de TV, está sendo lenta e gradualmente conhecido. Mas, quando o cidadão normal toma conhecimento, ele se transforma em seu eleitor. Isso está só começando. João está trabalhando para chegar ao segundo turno. Está muito cedo, ainda vai passar muita água embaixo da ponte.

Por que Amoêdo é disruptivo?

Ele se propõe a fazer um governo ético e austero. O País está praticamente quebrado, mas os juízes conseguiram aumento de salário. Te pergunto: num País onde pessoas morrem na porta do SUS, policiais não têm viaturas, nossas escolas repletas de carência, é justo dar aumento para a classe mais privilegiada de todas? Isso é a política velha. O País está nessas condições por causa de todos os governos dos últimos 50 anos. Os políticos privatizaram o Estado para eles.

Amoêdo não é o único a levantar bandeira contra a velha política. Marina Silva, Bolsonaro...

A ideia da Marina Silva é diferente. Ela é uma pessoa de esquerda que acha que o Estado é solução, que o Estado tem de ser babá, que o governo tem de ser dono de empresas porque elas são estratégicas. O João acha que o cidadão é a solução, que o indivíduo é a força motriz do País.

E no caso do Bolsonaro?

Paulo Guedes, que é o mentor econômico de Bolsonaro, é um indivíduo espetacular, cujas ideia se confundem totalmente com as ideias do João Amoêdo. E Bolsonaro também é disruptivo: não tem partido apoiando, não aceita acordo. Bolsonaro já é político de carreira que tem grande conhecimento do Congresso Nacional. O João é um outsider que nunca entrou na política. Ele é mais outsider que Bolsonaro.

Por que então votar no Amoêdo e não no Bolsonaro?

Por uma questão de princípios. Comungo dos princípios do partido Novo. Estou lá há mais de um ano e meio (Salim apoia, mas não é filiado). Conheço o padrão ético do João. Aderi à campanha. Sou apoiador moral e financeiramente.

A candidatura de Amoêdo não dilui ainda mais candidaturas de direita, campo que o senhor apoia?

A esquerda será derrotada brutalmente nas urnas. Votar no João Amoêdo não vai prejudicar em nada o processo eleitoral. Temos de mostrar que há um partido alternativo que, se não for nessa eleição, na próxima vai chegar ao poder. O Novo merece que as pessoas votem nele. Mas tenho certeza que a esquerda terá grande derrota, porque os brasileiros não aguentam mais.

Há quem diga que boa parte do empresariado está com Geraldo Alckmin.Concorda?

O círculo que convivo é mais João Amoêdo. Acaba sendo uma comunidade. Muitos empresários apoiam Alckmin de fato. Respeito a opinião dessas pessoas, mas tenho a minha. Acredito que a disrupção é o caminho e João é a melhor 

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