FABIO MOTTA|ESTADÃO
FABIO MOTTA|ESTADÃO

'Temos 4 anos para construir o Rio de Janeiro dos nossos sonhos', diz Crivella

Em discurso de vitória, prefeito eleito agradeceu apoio da Igreja Católica

Fábio Grellet e Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2016 | 20h36

RIO DE JANEIRO - O senador Marcelo Crivella (PRB), eleito prefeito do Rio neste domingo, 30, agradeceu ao apoio da Igreja Católica em seu primeiro discurso após a confirmação de sua vitória. Em discurso no Bangu Atlético Clube, em Bangu, na zona oeste do Rio, Crivella citou Deus mais de uma vez.

O senador derrotou o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL). A apuração ainda não havia terminado às 18h58, quando, com 99,54% das urnas apuradas, o candidato do PRB tinha 59,35% contra 40,65% do adversário.

Bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), Crivella é sobrinho do bispo Edir Macedo, fundador da Iurd. "Quero agradecer a toda a Igreja Católica que nos apoiou, vencendo uma onda enorme de preconceito, levantada na campanha eleitoral e por parte de uma mídia facciosa, inimiga jurada da nossa candidatura. Agradeço aos candomblecistas e também aos que não têm religião", afirmou Crivella.

O prefeito eleito defendeu que as acusações típicas de campanhas eleitorais fiquem para trás. "Não podemos jamais cair nas armadilhas da praga maldita da vingança. O processo eleitoral termina aqui. Acabou. Não temos memórias para injúrias, calúnias e infâmias. Agradeço a Deus porque estou cercado de pessoas que têm a alma, a natureza, a índole e a vocação da política, que é olhar para a frente", disse.

Sobre a vitória, Crivella ressaltou que já havia sido candidato a cargos majoritários em outras oportunidades, mas fora derrotado. "Peço a Deus que esta modesta e acidentada vida pública possa deixar para todos os cariocas esse ensinamento de que sempre chega a nossa vez quando a gente não desiste", disse o senador. "Que todos nós possamos ter a esperança dos que sempre lutam e a fé dos que nunca desistem", completou Crivella.

O prefeito eleito ressaltou que "ninguém vence sozinho" e citou aliados como os candidatos derrotados no primeiro turno Índio de Costa (PSD) e Carlos Osório (PSDB), a deputada federal Clarissa Garotinho (PR), o senador Romário (PSB) e o deputado estadual Wagner Montes (PRB).

"Temos quatro anos para construir o Rio de Janeiro de nossos sonhos", afirmou Crivella. "Vamos concentrar todas as nossas energias para realizar o projeto que propomos ao povo, que é cuidar das pessoas", completou. 

'Chega dessa agenda de Fora Temer'

Crivella disse que não vai entrar em “guerra fratricida” com o governo federal. Segundo ele, o povo não quer que a cidade se transforme “num bunker de luta ideológica e política”.

"Chega dessa agenda de 'Fora Temer'. Não. Nós queremos parceria com o governo do Estado, com o governo federal, nós queremos recursos. Nós não vamos mergulhar o Rio numa guerra fratricida que não vai nos conduzir a nada. Não foi essa a decisão que o povo decretou nas urnas. Se o povo quisesse que o Rio de Janeiro se transformasse num bunker de luta ideológica e política, teria votado no outro candidato. Votou no Crivella (porque) o povo quer paz”, afirmou Crivella, ex-ministro da Pesca no primeiro governo de Dilma Rousseff (PT).

Ele reafirmou ainda sua posição contrária ao aborto, liberação das drogas (temas que não são da alçada do prefeito) e da “ideologia de gênero para crianças”. “Outra mensagem que o povo nos deu: o povo disse bem alto nas urnas: não à legalização do aborto, não à liberação das drogas. Não, não e não. O povo também disse e eu tenho certeza, eu confio na alma carioca que existe na Câmara dos Vereadores. Na minha eleição o povo também disse bem alto: não à ideologia de gênero para crianças. Não, não e não."

O público que acompanha o prefeito eleito no Bangu Atlético Clube foi ao delírio. Em seguida, Crivella pediu que as pessoas dessem as mãos e rezassem o Pai Nosso. Disse que se tratava de um pedido do padre católico Lázaro, da Igreja da Penha. Foi seguido pelos fiéis.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.