Temer dá aval a grupo de rebeldes do PMDB

Vice endossa manifesto de deputados que ameaçam barrar novo Código Florestal

CHRISTIANE SAMARCO, MARTA SALOMON / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

07 de março de 2012 | 03h07

O presidente em exercício, Michel Temer, aderiu ao manifesto dos insatisfeitos do PMDB que acusam o PT de usar uma "ampla estrutura governamental" para ultrapassar os peemedebistas em número de prefeituras nessas eleições.

Além de dar razão aos queixosos que lhe entregaram o documento ontem à tarde, Temer reconheceu que a pressão do PT sobre o PMDB é grande e, citando São Paulo, disse que não recuará: "O Gabriel Chalita (candidato do PMDB a prefeito da capital) vai até o fim".

"Temos que trabalhar para eleger o maior número de prefeitos", conclamou Temer, declarando-se "defensor da liberdade das coligações" nas disputas municipais. Ao analisar o quadro eleitoral no encontro de uma hora no gabinete da Vice-Presidência da República, admitiu que o PT tem mais facilidade de acesso a programas e recursos do governo para as bases e prometeu buscar um "tratamento igualitário".

O vice acredita que o manifesto vai ajudar o governo, com o alerta das insatisfações. "Olha, vejam bem, vocês estão cobertos de razão. Vou abrir uma conversa (com o governo), falar dessa situação", disse a certa altura. Mas o tom conciliador de Temer gerou dúvidas e cobranças. O vice assumiu a Presidência na ausência de Dilma Rousseff, que estava ontem na Alemanha.

"Se vocês estão pensando que viemos aqui para vocês passarem a mão na cabeça da gente, estão enganados. Viemos aqui para resolver. Estamos há um ano e meio ouvindo isto", atalhou o deputado Manoel Moreira (PMDB-RS), saudado com gritos de "muito bem!". Para não polemizar, Temer saiu pela tangente. "Você disse exatamente o que eu havia dito, só que com sua voz forte, imponente."

Ato contínuo, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves (RN), sugeriu que Temer organizasse uma reunião dos dois líderes peemedebistas - ele próprio e o senador Renan Calheiros (AL) - com as ministras Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil) para relatar ao governo as insatisfações do partido.

Código Florestal. O grupo de cerca de 20 deputados que se reuniu com Temer saiu satisfeito do encontro. Todas essas insatisfações serão postas à mesa às 10h de hoje, quando a bancada vai se reunir para tratar da votação do novo Código Florestal. "Temos de dizer ao governo que não vamos votar. Não podemos ceder", propôs o deputado Darcísio Perondi (RS) ao líder Alves, lembrando que o momento em que a candidatura do peemedebista a presidente da Câmara mais cresceu foi quando houve enfrentamento na votação.

Assim, o PMDB ameaça impor a mais grave derrota política ao governo Dilma na votação do Código Florestal, com regras de proteção ambiental nas propriedades do País. O relator Paulo Piau (PMDB-MG) é contra a exigência de recuperação de cerca de 300 mil quilômetros quadrados de vegetação nativa, aprovada pelo Senado em dezembro. A votação foi adiada para a próxima terça. A orientação do líder é fazer com que o PMDB vote unido.

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