Temer crê em 'belíssima gestão' de Renan

Vice-presidente descarta problemas antigos do favorito à presidência do Senado e não acha que sua volta afete credibilidade da Casa

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2013 | 02h14

O vice-presidente da República, Michel Temer, afirmou ontem que o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) "pode fazer uma belíssima gestão" na presidência do Senado. Temer disse que não acredita que o retorno do líder do PMDB ao comando do Senado afete a credibilidade da Casa.

Renan Calheiros é favorito para voltar a presidir o Senado, cargo ao qual renunciou no final de 2007 para evitar ser cassado por quebra de decoro parlamentar após ser alvo de uma série de acusações de irregularidades.

Ontem, o Estado revelou que uma empreiteira de uma pessoa próxima a Renan faturou nos últimos dois anos R$ 70 milhões em recursos do programa Minha Casa, Minha Vida em Alagoas.

"Não creio (que afete a credibilidade do Senado). Vai depender muito da gestão que ele queira fazer, se ele fizer uma gestão correta, adequada, ao invés de prejudicá-lo, vai enaltecer. Mas é o futuro que vai dizer", disse Temer, presidente de honra do PMDB. O vice-presidente visitou de manhã o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), com quem conversou durante 40 minutos "sobre o futuro" (mais informações abaixo).

Questionado se considera Renan Calheiros um "bom nome" para o comando do Senado, Michel Temer disse que é "um nome escolhido pelo Senado, pelo partido, que tem tradição e pode fazer uma belíssima gestão". E acrescentou: "É isso que nós esperamos".

Semana que vem. O vice-presidente ressalvou que o líder do PMDB ainda não é candidato, e deverá oficializar sua candidatura "a partir talvez da semana que vem". A respeito da disputa para presidir a Câmara - cargo para o qual o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) é o grande favorito - o presidente de honra do PMDB preferiu fazer uma afirmação genérica: a disputa "está caminhando". Segundo ele, "o melhor candidato, que ganhar simpatia da bancada, será eleito" - uma referência à eventual disputa que deve reunir, além de Alves, a vice-presidente da Câmara, Rose de Freitas (PMDB-ES).

Apesar das denúncias e suspeitas envolvendo Renan e Henrique Eduardo Alves, a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, disse que o Palácio do Planalto "não tem preferência" por nenhum dos candidatos que disputam a presidência da Câmara e do Senado.

Autonomia. Questionada sobre as disputas de que participam Renan Calheiros e, na Câmara, Henrique Alves, Ideli disse que a deliberação da presidência das duas casas "é autônoma" do Congresso Nacional.

"A deliberação da presidência e da Mesa é uma deliberação autônoma, soberana do Congresso Nacional e nós estamos apenas acompanhando e respeitaremos como sempre a deliberação soberana dos deputados e senadores. Não há qualquer comentário. A deliberação é soberana do Congresso", insistiu a ministra, durante café da manhã em que recebeu jornalistas no Palácio do Planalto.

O governo, segundo ela, não tem preferência (por candidatos) "porque a preferência nossa é que eles escolham e a gente possa continuar tendo essa relação produtiva, benéfica para o País que tivemos ao longo desses últimos dois anos".

Apesar da manifestação oficial de parte da ministra Relações Institucionais, o governo Dilma articula e apoia nos bastidores a indicação de Calheiros e de Henrique Eduardo Alves para os dois cargos de mando das duas Casas do Congresso.

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