Temer afirma que PMDB vai fazer 'unidade absoluta' após eleições

Temer afirma que PMDB vai fazer 'unidade absoluta' após eleições

Presidente da sigla criticou grande número de correntes no partido e que, os que não concordarem com as mudanças poderão sair

Carla Araújo, enviada especial, O Estado de S. Paulo

17 de outubro de 2014 | 17h18

Curitiba - O vice-presidente Michel Temer (PMDB) aproveitou uma agenda com a presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff no Paraná para fazer fortes críticas a um possível racha dentro de seu partido. Sem citar nomes, ele afirmou que a sigla tem sido "tolerante ao longo do tempo com movimento de divergências", mas que o objetivo é construir um partido mais unido. "Depois das eleições vamos reunir o partido e fazer uma unidade absoluta", disse. "Vamos definir uma postura mais centralizadora, unificadora, para evitar essas divergências", completou. 


Questionado se estava sugerindo a saída de membros da ala dissidente do partido, Temer disse que não se pode "ter um partido político com 30 correntes" e reconheceu que no PMDB hoje "há muitas correntes". 

Temer disse ainda que os membros que não concordarem com as novas regras que o partido quer implantar após as eleições podem sair da legenda sem nenhuma punição partidária. "É o melhor ter um partido enxugado do que um partido diversificado", disse. 

O presidente do PMDB teria se irritado com as declarações do líder da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), de que não haveria dificuldade nenhuma do partido se posicionar em apoio a um futuro governo Aécio Neves (PSDB). Ao longo do primeiro mandato da presidente Dilma, candidata à reeleição, Cunha foi protagonista de vários cabos de guerra com representantes do Palácio do Planalto. Em alguns momentos, ele chegou a se negar a se reunir com a então ministra de Relações Institucionais Ideli Salvatti responsável por fazer a interlocução entre o Executivo e o Congresso. 

Diante desse histórico, Cunha deixa claro que, em caso de vitória da petista, a atuação da bancada deverá ser discutida. "Não deixamos de integrar a base do governo, mas optamos pela independência. Tanto que não indicamos nomes para substituir ministros. Essa nossa postura vai ter que ser conversada porque é uma decisão inclusive de quem vota na Dilma", ressaltou.

Temer negou que quase metade da bancada do PMDB esteja apoiando Aécio. "Não é verdade. Tanto que houve reuniões e não se conseguiu decidir, e nem era o caso, porque a grande maioria nos apoia no dia de hoje", afirmou. "E, segundo ponto, se houver pessoas que não acompanham o partido, não tem razão de ficar nesse partido. Tem que ir para o partido do candidato que ele esta apoiando", reforçou. 

O vice-presidente negou também que pretende ser candidato à presidência em 2018 e disse que o partido só poderá ter uma candidatura viável com a unidade. "Para lançar um candidato em 2018 o PMDB tem que estar unificado", disse.

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