Alex Silva/Estadão
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Temer afirma que PMDB será oposição 'em primeiro momento' em caso de derrota

Candidato a vice de Dilma Rousseff afirma que em 2018 partido terá candidatura própria ao Palácio do Planalto

Valmar Hupsel Filho, Mateus Coutinho e Carla Araújo, O Estado de S. Paulo

12 de setembro de 2014 | 17h47

 

O vice-presidente Michel Temer (PMDB), candidato à reeleição na chapa da presidente Dilma Rousseff (PT), disse ontem que "a primeira ideia" da legenda seria ir para a oposição em caso de derrota nas eleições. O peemedebista, que reassumiu neste ano a presidência da sigla, lembrou que o PMDB é "o partido da governabilidade". "Não se governa sem o PMDB", afirmou Temer.

"Se essa hipótese (de derrota) se verificar, é claro que o PMDB será procurado (pelo novo governo)", disse o vice-presidente, ao participar da série Entrevistas Estadão. Essa situação só seria incerta, afirmou, se a vitoriosa for Marina Silva (PSB). "Penso que (o PMDB) será procurado, a não ser que seja a candidata Marina, porque, ao que parece, ela não vai utilizar os partidos, vai utilizar as pessoas", disse. "Aí talvez, nenhum partido participe do governo."

Para Temer, a "nova política" pregada por Marina é um "descrédito absoluto das instituições". "Quem não governa com os partidos, quem não governa com o Congresso Nacional, não consegue governar."

Na entrevista, Temer frisou que ele e a maior parte do PMDB trabalham pela reeleição da chapa da qual faz parte. Em discurso alinhado ao de Dilma, o vice-presidente defendeu a condução da economia, um dos principais temas de críticas ao atual governo. Temer elogiou a atuação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que Dilma confirmou em entrevista ao Estado, na segunda-feira, que não continuará no governo em caso de reeleição. "O que a equipe econômica fez deu certo", disse.

Temer também concordou com a ideia de "governo novo, equipe nova" anunciada por Dilma. "Mudanças serão necessárias, mas não em todos os ministérios", disse, esquivando-se de dizer onde deveriam ocorrer as alterações.

O vice-presidente criticou a proposta de Marina de dar autonomia formal do Banco Central. "É preciso ter um certo controle." Segundo Temer, as propagandas do PT, com fortes críticas a Marina, não são ataques pessoais à candidata, mas sim "embate" político.

 


Para o peemedebista, a autonomia formal do BC oferece o "risco de um determinado grupo da sociedade brasileira tomar conta daquele setor sem nenhum controle e pode prejudicar as políticas sociais". Temer defendeu a manutenção da fórmula adotada pelo governo, chamada de "independência operacional". "Sou a favor de manter a fórmula atual porque é uma independência operacional que tem dado resultado."

Petrobrás. Questionado sobre qual a responsabilidade do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão - que é do PMDB, foi citado na delação feita pelo ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa e nega irregularidades - sobre os recentes escândalos na estatal, Temer disse o titular da pasta não tem "controle geral" do setor.

"Formalmente ele é o responsável, mas na realidade ele não tem o controle geral", argumentou. Para Temer, a responsabilidade sobre os "problemas" na Petrobrás deve ser "compartilhada". "O partido enquanto instituição não tem nada a ver com a história."

Temer disse acreditar que o próximo Congresso terá de promover uma reforma política e deu apoio à proposta de Dilma de convocar um plebiscito para tanto.

O vice-presidente reiterou a defesa de candidatura própria à Presidência na próxima disputa. "Impossível a essa altura o PMDB não indicar candidato em 2018."

 

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