Técnico do CGU vai controlar cofre do Dnocs

Diretor-geral, protegido do líder do PMDB, fica no cargo após intervenção de Temer e por causa da fragilidade do ministro

CHRISTIANE SAMARCO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2012 | 03h06

A presidente Dilma Rousseff quer resolver a crise do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) promovendo uma intervenção que segue o mesmo receituário aplicado em casos anteriores de irregularidades apontadas pela Controladoria-Geral da União (CGU).

Assim como fizera no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a chave do cofre do Dnocs está sendo entregue a um técnico treinado em controle externo, desta vez um funcionário da própria CGU.

Este é o produto concreto da troca de comando na diretoria Administrativa e Financeira do Departamento, em que o economista Albert Gradvohl perdeu a cadeira para o também economista Vitor Souza Leão, profissional de carreira da CGU. A exoneração foi publicada ontem no Diário Oficial da União.

A intervenção foi negociada com o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), na tentativa de poupar o apadrinhado do peemedebista, Elias Fernandes, na diretoria-geral do Dnocs.

Quando sugeriu as demissões no Dnocs, ainda em dezembro, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho (PSB), incluiu o diretor do Dnocs na lista dos demitidos e o Palácio do Planalto não desistiu de tirá-lo.

A diferença agora é que, em tempos de denúncias de irregularidades contra o próprio ministro, comprar uma briga política com o líder do PMDB é uma operação de altíssimo risco para Bezerra.

Foi precisamente a preocupação em compor com o PMDB que levou o ministro Bezerra a recorrer à intermediação do vice-presidente da República, Michel Temer, na semana passada.

Intervenção. A pedido do ministro, Temer marcou um encontro com Henrique Alves em seu gabinete, na quinta-feira. Foi quando Bezerra e Alves acertaram que apenas o diretor administrativo financeiro seria demitido, poupando o diretor-geral, com uma condição.

O próprio Elias Fernandes deveria pedir ao ministro que enviasse as denúncias e as explicações dadas pelo Dnocs para exame do Tribunal de Contas da União (TCU).

O destino de Elias Fernandes será definido pelo TCU. Caso o tribunal aponte irregularidades nas prestações de contas do diretor-geral, ficou acordado que ele mesmo deverá tomar a iniciativa de desocupar a cadeira e facilitar a vida do Palácio do Planalto, sem crises com o PMDB.

Mas a história não terminou aí. Também complicam a vida de Fernandes os protestos do PMDB cearense, que não se conforma com a degola do diretor Gradvohl, como se ele fosse o único responsável pelas irregularidades apontadas no órgão.

Empenhado na defesa pública de Gradvohl, o deputado Danilo Fortes (PMDB-CE) diz que a bancada do Ceará vai reagir.

"Vamos procurar a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e o ministro Fernando Bezerra para saber o porquê dessa violência contra esse rapaz", antecipa. Segundo o peemedebista cearense, Albert Gradvohl é "um quadro técnico, não está no Dnocs para fazer lambança nem para ser responsabilizado por irregularidades encontradas em outra diretoria".

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