'Taxa do lixo foi encomenda do gabinete de Marta'

Para Haddad, caixa em 2001, quando trabalhava na pasta de Finanças, exigia novo tributo; 'taxa do carro' de Kassab 'é mil vezes pior', afirma

DAIENE CARDOSO, AGÊNCIA ESTADO, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2012 | 03h09

O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, disse ontem que a criação das taxas de lixo e de luz na gestão Marta Suplicy (2001-2004), na qual atuou como chefe de gabinete da Secretaria de Finanças, foi "encomenda do gabinete da prefeita" e que coube a ele "executar a encomenda". Ao participar da série Entrevistas Estadão, Haddad chamou a cobrança pela inspeção veicular criada por Gilberto Kassab (PSD) de "taxa do carro" e disse que é "mil vezes pior" que o do lixo.

"Houve uma decisão política. A cidade estava quebrada, não tínhamos recursos para nada e houve uma decisão política da prefeita para aumentar a arrecadação", disse Haddad, referindo-se aos problemas financeiros da Prefeitura após a gestão Celso Pitta (1997-2000). O candidato aproveitou a resposta para criticar não só Kassab, como o adversário tucano na eleição, José Serra. "A única (taxa) que eles mataram foi a do lixo e trocaram pela do carro, que é mil vezes pior", comparou. "Eu vou acabar com a taxa do carro, porque ela é ridícula sob todos os aspectos."

Para Haddad, é possível fazer a inspeção veicular sem onerar o proprietário do automóvel. "Eles enganaram a população porque disseram que devolveriam a taxa e não devolveram mais", disse. Após o primeiro ano de exigência da inspeção, a Prefeitura deixou de devolver o valor pago pelos motoristas.

Transporte. A maioria dos internautas que enviou perguntas durante a entrevista quis que Haddad falasse sobre o Bilhete Único Mensal. Além de explicar a proposta, o petista aproveitou para alfinetar o tucano. "O Serra defendeu a Controlar (empresa responsável pela inspeção ambiental veicular) e é contra o Bilhete Único Mensal, que existe em todos os lugares. Qual é a racionalidade? Eu não consigo entender."

Haddad argumentou que comprar passagem por período de uso existe em vários países, e por duração variada. "Não é nada diferente do que existe nas cidades mais modernas do mundo há décadas. Por que funciona em Paris e não pode funcionar aqui?", questionou. "Em Paris é bonito. Chega em São Paulo, não tem e ninguém reclama."

A equipe da campanha petista estima que o Bilhete Único Mensal possa custar R$ 140 e que o benefício vai estimular os passageiros a usarem o sistema nos horários de baixa demanda e, com isso, aproveitar espaços como bibliotecas e museus sem gastar a mais com transporte. Na hipótese de o bilhete mensal não poder ser usado em trens e no metrô, Haddad disse que a cobrança adicional pode ser mantida como funciona hoje. Mas o candidato afirmou "não ter dúvidas" da "boa vontade do governador" Geraldo Alckmin (PSDB) em aceitar a integração. "Ou a gente aposta no sistema público de transporte ou essa cidade vai parar. Não tenho dúvida disso."

Indústrias. Haddad citou feitos de sua gestão no Ministério da Educação e disse ter sido o "único ministro no mundo" a estabelecer metas para si mesmo. "Cumpri todas", disse. O candidato contou que, em 2007, prefeitos e governadores assinaram compromissos semelhantes na área de educação. "O governo do Estado (de São Paulo) cumpriu a meta, agora o prefeito não cumpriu. Como é que eu vou dar nota boa para um prefeito que não cumpriu a meta?", justificou.

Ao ser questionado sobre o sistema de progressão continuada - conceito defendido por pedagogos, mas alvo de críticas e de promessas de ser extinto por parte dos candidatos -, Haddad disse existir "indústrias da repetência e da aprovação automática". Para o candidato, a solução para evitar que alunos passem de ano com deficiência de ensino é educação em tempo integral.

Haddad prometeu que, em quatro anos, aumentaria em 100 mil o número de alunos com dois turnos entre o 1.º e o 5.º ano do ensino fundamental - o equivalente a 25% dos estudantes nessa faixa. Seria dada prioridade, segundo o candidato, aos alunos de escolas com nota abaixo da média no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). O petista prometeu construir mais 20 Centros Educacionais Unificados (CEUs).

Haddad reconheceu ser difícil acabar com o déficit de vagas em creches - hoje de cerca de 150 mil crianças. "Vamos ter de fazer das tripas coração para honrar o compromisso com as mães."

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