Taxa de brancos e nulos é recorde para o segundo turno

No total, 14,3% dos eleitores que foram às urnas neste domingo, 30, deixaram de escolher candidato, o maior número desde 2004

Daniel Bramatti, Rodrigo Burgarelli, Guilherme Duarte e Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2016 | 23h28

As eleições de 2016 registraram a maior taxa de votos brancos e nulos no segundo turno das disputas municipais desde 2004, primeiro ano para o qual o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulga estatísticas digitalizadas. No total, 14,3% dos eleitores que foram às urnas neste domingo, 30, nas 57 cidades onde houve nova consulta não escolheram nenhum dos dois candidatos à cadeira de prefeito.

Essa taxa de anulação está bem acima da média histórica. Em 2012, por exemplo, 9,2% dos eleitores decidiram anular ou votar em branco nas 50 cidades em que houve segundo turno. Em 2008, quando só 30 municípios foram para uma segunda disputa, esse porcentual foi de 7,5%. E, em 2004, apenas 5,4% dos eleitores votaram branco ou nulo nessa etapa.

A abstenção também foi recorde na série histórica dos segundos turnos municipais – 21,5% do eleitorado registrado no TSE não apareceu neste domingo para votar, mais do que em qualquer outro ano desde 2004. O recorde anterior havia sido justamente em 2012, quando 19,1% dos eleitores no cadastro não apareceram para votar no segundo turno.

Analisar esse dado, porém, pode ser enganador, já que nem sempre o cadastro do TSE está atualizado. Eleitores que morrem ou mudam-se para outras cidades sem recadastrar o título, por exemplo, podem aumentar artificialmente a taxa de abstenção em cidades onde o registro eleitoral está defasado. 

Isso atrapalha especialmente a comparação com anos anteriores, pois quanto mais tempo sem atualizar a base, mais desatualizado fica o cadastro e maior a chance de “eleitores fantasmas” puxar para cima essa estatística.

Escolha. Mesmo levando em consideração essa ressalva, o porcentual de eleitores cadastrados que deixou de escolher candidato neste segundo turno é impressionante. Foram 32,8%, ou praticamente um em cada três. Esse número era 11 pontos porcentuais menor em 2004 e vem aumentando pouco a pouco a cada ciclo eleitoral.

A taxa de eleitores que “lavaram as mãos” foi especialmente alta no Rio. No total, um entre cada quatro cariocas que foram às urnas decidiu votar nulo ou branco. Somado à abstenção, esse contingente chega a 41,5% do eleitorado. É menor apenas do registrado em Mauá e São Bernardo do Campo, ambas no ABC Paulista: 42,3% e 41,7%, respectivamente.

Do outro lado do ranking, estão São Luís (MA) e Maringá (PR), os únicos que registraram uma taxa de votos brancos e nulos menor que 5%. Já a menor abstenção foi registrada em Olinda (PE), uma das cidades onde houve recadastramento eleitoral com registro de biometria no começo de 2016. Lá, só 8% dos eleitores não compareceram às suas seções.

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