Tática petista é reforçar ‘continuidade’ como marca

No evento de comemoração dos 10 anos do Bolsa Família, Lula afirma que Dilma vai 'aprofundar' a inclusão social iniciada em seu governo

Tânia Monteiro e Rafarel Moraes Moura - O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2013 | 02h09

BRASÍLIA - A comemoração dos dez anos do Bolsa Família, ontem, transformou-se em uma troca de elogios entre a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em clima eleitoral, a presidente e o antecessor reforçaram a tática de transmitir a ideia de continuidade entre os governos.

Em entrevista após a cerimônia, o ex-presidente afirmou que a marca do governo Dilma é a mesma defendida durante a campanha eleitoral: a continuidade e o aprofundamento daquilo que foi feito em seu governo, com foco na inclusão social. "Eu acho que o governo da presidente teve uma marca da campanha, que foi a razão da sua eleição: dar continuidade a um programa de inclusão social e desenvolvimento (do governo Lula)", disse Lula.

O tom de campanha ficou mais nítido com menções ao governo tucano. "Ninguém que governou de costas para o povo tem legitimidade para atacar o combate à desigualdade que nós fizemos", discursou a presidente. "Bolsa Família não é esmola, é tecnologia social de distribuição de renda e combate à fome", afirmou Dilma.

Lula, por sua vez, avisou que o programa se transformou em "direito" para as famílias mais carentes, que não precisam mais "pedir favor e trocar seu voto por um prato de feijão". "É isso que preocupa certa sociologia das elites da política brasileira; é preconceito da mais baixa linha política."

A presidente Dilma classificou os programas que antecederam o Bolsa Família, em governos anteriores, como de "baixa eficácia", com vigência só "nas proximidades das eleições".

Lula aproveitou a presença dos ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Míriam Belchior, para cobrar que não fiquem criando empecilhos para a liberação de verbas para os programas sociais. "Querido Mantega e querida Míriam. Quando forem discutir o Orçamento, parem de regatear dinheiro para os pobres", afirmou o ex-presidente, sob palmas da plateia, lotada de ministros e parlamentares.

'Pão de cada dia'. Em discursos de mais de meia hora, Lula e Dilma trocaram elogios e procuraram mostrar sintonia. "Enquanto existir uma só família (passando fome) ela vai encontrar na presidente Dilma o pão de cada dia", declarou Lula. "Que se coloquem as Forças Armadas atrás de brasileiros para não deixar ninguém sem comer, porque foi para isso que fomos eleitos", discursou o ex-presidente. Lula ainda atacou o inconformismo de "certos grupos da elite" que se incomodam com o fato de os pobres estarem viajando de avião e "as empregadas usando perfumes iguais aos das patroas".

Após afirmar que os governos petistas "varreram as políticas clientelistas" do País, a presidente disse que jamais aceitará qualquer redução no ritmo do Bolsa Família.

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