Tarso alerta que Exército não é solução para violência no Rio

Ministro da Justiça diz que deslocamento das tropas ocorre apenas para dar 'estabilidade ao processo eleitoral'

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

12 de setembro de 2008 | 12h11

O ministro da Justiça, Tarso Genro, alertou nesta sexta-feira, 12, que o uso do Exército não é a solução para a violência no Rio de Janeiro e que o deslocamento das tropas ocorre apenas para dar "estabilidade ao processo eleitoral". "A intervenção é localizada", afirmou. "As questões de segurança pública não são resolvidas pela presença do Exército. Essas regiões só voltarão a ter total segurança nas futuras eleições se uma nova iniciativa como o policiamento comunitário for implementado", alertou. As milícias serão neutralizadas no processo eleitoral. Mas a única solução duradoura é sua substituição por outra força ", alertou.    Veja também:  'Violência marca eleições brasileiras', diz jornal português  TRE considera bem-sucedida entrada do Exército no Rio  Chegada do Exército espanta milícias e traficantes Segundo ele, as milícias "não surgem de graça, mas no vácuo do poder do Estado". "Ela conquista legitimidade. Portanto, para que seja extinta, precisamos de uma presença formal do Estado e, se necessário, com apoio da Força Nacional", afirmou. O que mais preocupa o ministro, porém, é a transformação do crime no Rio de Janeiro nos últimos anos. "Existe uma criminalização da política em algumas partes do Rio e há uma politização do crime. Esse é o nível mais crítico da insegurança pública", alertou.  Para Tarso Genro, a conseqüência dessa situação pode ser a "estagnação do processo democrático e o afastamento da cidadania". "As pessoas não acreditam na política, pois estaria ligada às droga, jogo do bicho ou crime. Além disso, consideram que para ser político precisam estar envolvido com alguma atividade criminosa. Isso leva à decadência da democracia e anula o respeito pelo Estado", concluiu.

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