Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

‘Talvez o caminho seja a composição contra os extremos’, diz presidente do PRB

O ex-ministro Marcos Pereira admite Flávio Rocha, presidenciável do partido, como vice em coligação com outra legenda nas eleições 2018 e cita sondagem do Podemos

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2018 | 05h00

BRASÍLIA - Presidente nacional do PRB, o ex-ministro Marcos Pereira diz que uma composição do empresário Flávio Rocha, pré-candidato do partido à Presidência nas eleições 2018, como vice na chapa de outro nome de centro “talvez seja o caminho para evitar o Brasil dos extremos”. Em entrevista ao Estado, Pereira relata que Rocha foi sondado pelo senador Alvaro Dias (PR), presidenciável do Podemos. O PRB participa do bloco integrado por DEM, PP e Solidariedade, que conversa também com Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB). 

Pereira afirma que Ciro teria que adequar suas propostas ao grupo e que Alckmin não mostrou como poderá avançar ao segundo turno. Bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, Pereira considera que a igreja não deveria declarar apoio a nenhum candidato e afirma que os representantes da bancada evangélica estão dispersos na eleição deste ano.

O pré-candidato Flávio Rocha, por ser um nome do Nordeste, pode compor uma chapa como vice? 

Não conversei com ele sobre isso ainda. Se o PRB entender, ele entender e os apoiadores dele também, ele pode ser o candidato mesmo sem outros partidos. Minha manutenção no bloco foi nesse intuito, ter alguma possibilidade de influenciar o grupo. Pode ser bom o debate, para colocar o partido em evidência, mas, talvez, o caminho seja por uma composição para evitar o Brasil dos extremos. Isso é uma coisa que a gente só vai decidir após dia 15.

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Algum dos pré-candidatos ao Planalto ofereceu a vice a ele?

O Alvaro Dias. Fez diretamente com o Flávio e conosco, no partido.

A proposta ainda está na mesa?

Tem que perguntar para ele (Alvaro Dias).

O que as pesquisas dizem sobre Rocha, Rodrigo Maia (DEM) e Aldo Rebelo (Solidariedade), colocados como pré-candidatos no bloco? 

As pesquisas de intenção de voto e qualitativas demonstram que esses três pré-candidatos têm dificuldade de avançar. Mesmo que o tempo de TV desses partidos, cerca de 20% do total, fique à disposição de um deles. Ouvimos os candidatos que podem ter viabilidade e estar mais no centro. Sabendo que tem toda a dificuldade desse grupo com o PT e da maioria com Jair Bolsonaro (pré-candidato pelo PSL). 

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Mesmo com Bolsonaro liderando pesquisas? 

Ele pode até ir para o segundo turno, mas o quanto ele vai subsistir, numa eleição curta, sem tempo de rádio e TV? Ele tem fragilidades.

Quando o partido ou o grupo vai decidir quem apoiar? 

O PRB não vai antecipar a decisão. O Ciro (Nogueira, presidente do PP) me disse que PP não vai antecipar a decisão. A nossa será a partir de 15 de julho. Mas não podemos deixar para muito depois de 25 de julho, porque as convenções terminam dia 5 de agosto. Vou fazer uma reunião com a bancada na semana que vem. Ninguém acredita, mas o PRB pode decidir por manter a candidatura do Flávio, mesmo sozinho. 

Marina Silva (Rede) aparece no topo das pesquisas em alguns cenários, empata com Bolsonaro, mas passa ao largo dessas conversas com o centro. Por quê?

Não sei. Eu não conheço a Marina. Não posso falar.

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O que faria o bloco rachar, até onde vai caminhar junto? 

Uma discordância entre quem apoiar. Vejo pouca viabilidade hoje dos outros partidos apoiarem Rocha. Eles querem apoiar quem pelo menos vai disputar de forma competitiva.

Ciro Gomes tem uma pauta que diverge do PRB. Ele teria o apoio? 

Como ele se predispôs, caso isso avance, a adequar a pauta dele à dos partidos, eu diria que existem dificuldades, mas que não deveriam ou não deverão ser intransponíveis. Não chegamos a discutir quais. Vamos ter que adotar alguns critérios. A ideia do grupo, da qual eu divirjo mais do que concordo, e por isso digo que é mais difícil, mas não impossível um apoio ao Ciro, é que seja estabelecidos alguns pontos programáticos e que ele aceite adotar no programa de governo para puxar um pouco mais para o centro. Por exemplo, não dá para ele dizer que vai revogar a reforma trabalhista assim que assumir a Presidência. Nós não aceitamos. Isso é inegociável. Ela tem que ser mantida e reforçada. 

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O bloco hesita em apoiar Alckmin?

Não tem nada decidido. Na quarta-feira (11) vamos nos reunir para dar encaminhamento.

Falta consistência à campanha de Alckmin?

Pesquisas mostram que há bastante dificuldade para ele chegar no segundo turno. Alckmin disse que neste momento o povo está preocupado com a Copa. Ele rechaçou de forma equilibrada a possibilidade de ser substituído pelo (João) Doria. 

Das conversas com Ciro, Alckmin e Alvaro Dias, quem lhe convenceu mais?

Não posso responder. Tenho que ouvir a bancada, o partido, o Flávio Rocha...

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Dos candidatos a presidente, quem hoje tem a preferência do eleitorado evangélico?

Não sei. Os evangélicos são uma parcela importante, mas não decide. Quem decide é a sociedade como um todo e ela se entende lá no final, ou não. A sociedade está meio estranha ultimamente, não só no Brasil, mas no mundo todo.

A Igreja Universal vai declarar apoio a algum candidato neste ano?

Não posso falar pela igreja. A minha opinião é que não deveria declarar apoio a ninguém para cargo executivo. Mas não sou eu que decido.

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