Suspeitos de matar ex-chefe do DOI-Codi no Rio são presos

Agentes da Polícia Civil do Rio Grande do Sul e oficiais da Brigada Militar prenderam ontem quatro suspeitos de terem assassinado o coronel da reserva Júlio Miguel Molinas Dias, de 78 anos, no dia 1º de novembro. O coronel foi morto quando ele chegava em casa, em Porto Alegre. O assassinato desencadeou a descoberta de documentos sobre o desaparecimento do ex-deputado Rubens Paiva, em 1971.

LUCAS AZEVEDO, ESPECIAL PARA O ESTADO, PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2012 | 02h05

Foram presos na operação dois policiais militares, a namorada de um deles e outro suspeito. Eles são acusados de envolvimento com assaltos e tráfico de drogas. Os suspeitos teriam rendido Molinas para invadir sua casa e roubar o arsenal que ele mantinha. O coronel foi morto ao reagir.

Durante as investigações, foram encontrados na casa de Molinas, na zona norte da capital gaúcha, documentos relativos ao regime militar. Ele foi chefe do Destacamento de Operações Internas (DOI-Codi) do Rio de Janeiro, no início da década de 1980.

No arquivo que o coronel da reserva mantinha em casa, foi encontrado um ofício datado de 20 de janeiro de 1971, que contém uma relação de objetos pessoais que estavam com o deputado no momento de seu desaparecimento. O relatório identifica ainda que Rubens Paiva chegou ao DOI-Codi naquele dia trazido por uma equipe do Centro de Inteligência da Aeronáutica. O documento contraria a versão dada pelo Exército até então, de que o deputado havia sido sequestrado quando estava a caminho do órgão repressor.

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