Suspeitos de irregularidades mantêm cargos nos Correios

Pelo menos 14 acusados na CPI dos Correios em 2005 continuam nos cargos, alguns até em funções de chefia

FÁBIO FABRINI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2012 | 02h04

Palco de esquema de corrupção que detonou o escândalo do mensalão em 2005, os Correios mantêm em cargos de chefia funcionários apontados por suposto envolvimento nas irregularidades. Alvos de pedido de indiciamento pela CPI que investigou o caso no Congresso, servidores ganharam da estatal funções comissionadas.

A CPI dos Correios devassou contratos da estatal após revelação de vídeo no qual o ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material, Maurício Marinho, aparecia negociando propina com interessados em fechar negócios com a empresa. Ao menos 14 servidores com pedido de indiciamento pelo relatório final da CPI continuam na Casa, sendo 4 egressos do Departamento de Encaminhamento e Administração de Frota (Denaf) em postos de destaque.

Conforme a CPI e o Ministério Público Federal, empresas eram favorecidas no setor, em troca de propina para irrigar os cofres do PTB do ex-deputado Roberto Jefferson (RJ). Graças à suposta atuação dos servidores, a Autotrac teria sido contratada sucessivamente por dispensa de licitação, além de ter contrato prorrogado para além do prazo legal.

Então gerente de Administração de Frota dos Correios no Rio, Isio Mauro Cudischevitch relatou aos parlamentares, em 2005, que tentou levar adiante concorrência pública para escolher nova fornecedora, mas sofreu pressão, foi exonerado do cargo e transferido.

Ex-subchefe de Administração de Frota, Delamare Holanda seria um dos porta-vozes do lobby em favor da Autotrac. A CPI pediu seu indiciamento. Nos Correios, Holanda ocupa função comissionada de analista X na Central de Serviços de Engenharia e Infraestrutura, em Brasília, com remuneração de R$ 11,3 mil, conforme tabela da estatal.

Na Justiça Federal em Brasília, Holanda responde a ação de improbidade administrativa, ajuizada em setembro, pela compra de 58 caminhões para os Correios, a preços superfaturados, quando subchefe do Denaf, negócio que gerou prejuízo ao erário estimado entre R$ 1,7 milhão e R$ 2,3 milhões.

A ação diz que o esquema enriqueceu ilicitamente as empresas Iveco, Agrale e Brasília Motors, beneficiadas com contratos de R$ 9,8 milhões.Outros três funcionários do Denaf - que, segundo a CPI, também usaram os cargos para favorecer a Autotrac - são hoje chefes na estatal: Abílio Antônio de Oliveira Freitas (salário de R$ 11,5 mil) e Luiz Lincoln Massena Costa (R$ 13 mil), gerentes de terminais de carga aérea no Rio, e Cláudio Martinez (R$ 9,3 mil), gerente de Centro de Tratamento de Correspondências Internacionais, também no Rio.

Os três integraram grupo de trabalho responsável pela contratação de serviços de rastreamento de veículos e se reportavam ao então chefe do Denaf, Luiz Carlos Scorsatto, e ao então diretor de Operações Maurício Madureira. A minuta do edital de licitação estaria supostamente direcionada à Autotrac. Madureira e Scorsatto permanecem nos Correios como analistas sem função de chefia. Além deles, oito servidores postos sob suspeita pela CPI estão efetivos na estatal.

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