Suspeito usa nome de governador do Acre para liberar verba

Dinheiro serviria para pagar empresas que, segundo a PF, integravam esquema de fraudes em contratos do Estado

RICARDO BRANDT , ENVIADO ESPECIAL / RIO BRANCO , O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2013 | 02h00

Preso sob suspeita de integrar um grupo que fraudava contratos do governo do Acre, o diretor-presidente do departamento de pavimentação do Estado, Gildo Rocha Pinto, usou o nome do governador Tião Viana (PT) a fim de liberar recursos públicos para empresas que, segundo a Polícia Federal, integravam o esquema.

Em conversa gravada em fevereiro pela Operação G7, o diretor diz ao secretário adjunto da Fazenda, Joaquim Macedo, conhecido como Tinel, que era preciso liberar quase R$ 1 milhão "por ordem do governador". E ouve como resposta: "Temos que pensar que se nós não tivermos cuidado, o Tião tá ferrado, moço. E nós temos que cuidar dele, fechar o governo dele".

Ainda nessa conversa, o secretário adjunto alerta o diretor sobre a falta de dinheiro em caixa. "Se já não tem para fazer o normal, tu imagina pro extra", diz Tinel, que não foi preso pela operação da Polícia Federal, mas poderá ser indiciado sob suspeita de prevaricação - ou seja, por deixar de tomar providências diante de um ato ilícito.

Já o diretor-presidente do departamento de pavimentação do Acre deverá ser indiciado sob suspeita de corrupção, formação de cartel e quadrilha.

A Polícia Federal afirma em seu relatório que o pagamento tratado no diálogo, de R$ 930 mil para as empresas Eleacre Engenharia Ltda e Albuquerque Engenharia Importação e Exportação Ltda, é "irregular e lesivo ao patrimônio público".

As empresas pertencem a João Francisco Salomão, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Acre (Fieac), também preso na operação, e João Albuquerque, que não foi preso, mas deve ser indiciado sob suspeita de formação de cartel.

Cartel. Os empresários e agentes públicos investigados, entre eles secretários e um sobrinho do governador, Tiago Viana, montaram, segundo a PF, um cartel para obter contratos de obras - principalmente de pavimentação - e lucrar com dinheiro público. Nove dos 15 investigados são homens de confiança do governador Tião Viana e de seu irmão, o ex-governador e hoje senador Jorge Viana (PT).

"Em conluio os suspeitos simulavam competições nas licitações do Estado", informa o relatório da Operação G7, deflagrada na semana passada. Para isso, segundo a Polícia Federal, se valiam do trânsito que tinham dentro do poder público.

O secretário de Comunicação do Acre, Leonildo Rosas, disse que "inexiste desvio de recurso público" no Estado e que o diálogo citado trata "de uma discussão de alocação de orçamento e fluxo financeiro". "É mais uma das muitas ilações do processo. Se houve pagamento, foi dentro da legalidade, com as devidas medições atestadas." Odilardo Marques, advogado do diretor-presidente do departamento de pavimentação, disse que "não vai se pronunciar por enquanto". A defesa do empresário João Salomão também informou que "não vai falar" sobre o caso. A defesa do empresário João Albuquerque não foi localizada. / COLABOROU ITAAN ARRUDA

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