Suplente de Demóstenes assume antes do recesso

Wilder Morais tomou posse ontem, em cerimônia surpresa com apenas 4 senadores

RICARDO BRITO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2012 | 03h06

Numa cerimônia rápida, de menos de cinco minutos, o engenheiro Wilder Morais (DEM) assumiu ontem pela manhã o mandato de senador no lugar de Demóstenes Torres (ex-DEM, sem partido-GO), cassado na quarta-feira acusado de quebra de decoro devido a suas ligações com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. A previsão era de que ele fosse empossado apenas após o recesso.

Somente quatro senadores - número mínimo previsto no regimento do Senado - participaram da posse: Ciro Nogueira (PP-PI), Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), Ana Amélia (PP-RS) e Roberto Requião (PMDB-PR). Coube a Ciro Nogueira, como único representante da Mesa Diretora, ciceronear o novo senador no plenário, apresentá-lo aos presentes e empossá-lo, pouco depois das 9 horas. Logo em seguida, Morais deixou o Senado sem falar com os poucos jornalistas que o seguiram.

"Ele chega ao Senado em uma situação desconfortável", afirmou a senadora Ana Amélia, referindo-se às suspeitas que pairam sobre o novo colega, de que ele teria omitido parte do patrimônio na declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral e o fato de o contraventor Carlinhos Cachoeira ter dito a ele - e ele ter confirmado, segundo conversas grampeadas pela Polícia Federal - que trabalhou para colocá-lo na suplência de Demóstenes e na secretaria de Infraestrutura do governo de Goiás, cargo que ocupou até ontem.

Numa das conversas gravadas pela PF, de junho do ano passado, Cachoeira diz a Wilder: "Eu não vou expor você, cara. Fui eu que te pus na suplência, essa secretaria. Fui eu, você sabe muito bem disso". Wilder responde: "Carlinhos, pensa um cara que nunca teria encontrado um governo, que nunca teria sido bosta nenhuma. Você está falando com esse cara".

Pelo Twitter, Wilder afirmou que ele estava querendo encerrar uma conversa. "Ao contrário do que vem sendo divulgado, meu real propósito não foi mostrar gratidão, mas pôr fim a uma conversa constrangedora", afirmou o agora senador. "Discutíamos sobre questões de foro íntimo, que resultou na minha separação da esposa."

Como já foi amplamente divulgado, Andressa Mendonça era mulher de Wilder e trocou-o por Cachoeira. Para Wilder, "se a íntegra da conversa fosse divulgada, a interpretação dos fatos certamente seria outra", escreveu ele no Twitter.

Confiança. O presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN), afirmou que recebeu um telefonema de Wilder meia hora depois da posse dele. Disse que confia no novo integrante da bancada. "(Wilder) Está no direito dele", disse o presidente do DEM sobre a posse relâmpago. Na conversa, segundo Agripino, Wilder lhe disse que vai responder a todos os questionamentos em um "curto prazo", sem precisar quando. O novo senador avisou a Agripino Maia que está em férias com a família.

Com a posse, Wilder garante direito a foro privilegiado, ou seja, só responder a investigações criminais com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). Também receberá um salário de R$ 26,7 mil por mês, além de uma série de outro benefícios, como verba para montar o gabinete, auxílio-moradia (em caso de não ocupar imóvel funcional) e a cota de combustível.

Filho de uma costureira e de um peão, o engenheiro cresceu com os quatro irmãos na fazenda onde o pai trabalhava. Foi para Goiânia em 1984, onde se formou na atual Pontifícia Universidade Católica (PUC). Ele costuma dizer que nunca quis seguir carreira política, mas não escondeu o orgulho, em 2010, ao ser confirmado na suplência de Demóstenes: "Vou ser o suplente do maior senador do Brasil".

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