Suplente assume sob suspeita de omitir bens

Ex-marido da noiva de Cachoeira, Wilder Morais não declarou empresas ao TSE; segundo a PF, contraventor apoiou sua escolha para suplência

GOIÂNIA, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2012 | 03h06

Primeiro-suplente de Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), o engenheiro Wilder Pedro de Morais (DEM-GO) assumirá a vaga no Senado sob suspeita de ter omitido patrimônio à Justiça Eleitoral. Ele deixará hoje a Secretaria Estadual de Infraestrutura do governo Marconi Perillo (PSDB), em Goiás, mas só será empossado após o recesso parlamentar.

Reportagem de ontem do jornal O Globo informou que Wilder é sócio-proprietário de 24 empresas, conforme registros na Junta Comercial de Goiás, mas declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) 15 sociedades em um patrimônio de R$ 14,4 milhões. Dados da Receita Federal mostram que pelo menos oito dos empreendimentos que não foram informados à Justiça Eleitoral foram constituídos antes da eleição de 2010, incluindo dois shopping centers - um em Goiânia e outro em Anápolis.

Wilder também é suspeito, segundo investigações da Polícia Federal, de ter ligações com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Escutas da Operação Monte Carlo indicam que Cachoeira atuou para que fosse escolhido como primeiro-suplente de Demóstenes. Segundo o Globo, Wilder foi o segundo maior doador da campanha do ex-senador, com R$ 700 mil repassados por intermédio de duas de suas empresas.

Ex-mulher. Wilder foi casado com a atual noiva de Cachoeira, Andressa Alves Mendonça, com quem tem dois filhos. Escutas da PF captaram Andressa reclamando ao contraventor dos encontros que mantinham às escondidas. "É tudo escondido, tem de almoçar dentro de quarto de hotel, não quero isso mais não, poxa!", disse ela a Cachoeira. A separação veio dois anos após a descoberta do caso.

O futuro senador é amigo do pai de Andressa, Lair, a quem ajudou a se eleger vereador em Goiatuba (GO). O ex-sogro foi cassado pelo Tribunal de Justiça de Goiás em 2007, por improbidade administrativa, sentença ratificada pelo Superior Tribunal de Justiça há dois anos.

O engenheiro costuma dizer que "veio do nada". Filho de uma costureira e de um peão, cresceu com os quatro irmãos na fazenda onde o pai trabalhava. Foi para Goiânia em 1984, onde se formou na atual Pontifícia Universidade Católica (PUC). Wilder costuma dizer que nunca quis seguir carreira política, mas não escondeu o orgulho, em 2010, ao ser confirmado na suplência de Demóstenes: "Vou ser o suplente do maior senador do Brasil". / RUBENS SANTOS, ESPECIAL PARA O ESTADO

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