Sua Excelência, o tomate!

Ao contrapor a realidade como limite ao excesso de idealização, o deputado Ulysses Guimarães dizia a interlocutores "sonháticos" que na política manda "Sua Excelência, o fato", agora representado pelo tomate inflacionário, vilão que trouxe para as ruas a preocupação econômica até então circunscrita aos especialistas.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

14 Abril 2013 | 02h12

O fato impõe sério revés à estratégia do Planalto de manter no âmbito técnico o debate sobre a economia e põe em xeque o diagnóstico precoce de que sua fase negativa não afetaria o bolso do eleitor a tempo de influir na campanha presidencial de 2014.

Mais cedo ainda do que supunham mesmo os mais pessimistas, as imagens de consumidores revoltados em supermercados ganharam espaço nos telejornais exibidos no horário nobre, o tomate virou piada nacional nas redes sociais, e os candidatos de oposição à presidente Dilma Rousseff ganharam a munição eficiente para difundir a dúvida sobre sua capacidade gestora.

"Sua Excelência, o tomate", é o figurino recente da "velha senhora", a inflação, dada como a única ameaça à reeleição da presidente se, em médio prazo, não for contida. Para enfrentá-la, aumentam-se os juros o que, por sua vez, encarece investimentos e põe um freio na anestesia do consumo, ópio do eleitorado.

O governo, que receia mais do que demonstra, prepara-se para essas providências, cuja protelação pretendia estender, dispondo-se a pagar o preço após a reeleição da presidente Dilma.

Mas a conta chegou mais cedo, combinando inflação e falta de investimentos e exibindo a insuficiência das desonerações em série como antídoto eficaz. 

 

O relógio de Campos

 

Pressionado pela antecipação da campanha presidencial pelo governo, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, começa a viver a angústia de ter antecipada a saída do PSB da base aliada, com a consequente entrega dos cargos do partido na estrutura federal. Seu plano original previa o desembarque em outubro, um ano antes da disputa, mas segundo um interlocutor de sua confiança, a eventual aprovação da Medida Provisória dos Portos pode precipitar esse prazo. A MP retira dos Estados a autonomia da gestão dos portos, agravando o discurso crítico de Campos e reduzindo a viabilidade de manter-se aliado e candidato por muito mais tempo.

Ritmo lento

A favor do governador pernambucano soma o veto do governo ao relatório da MP dos Portos, do senador Eduardo Braga (PMDB-AM), que prorroga por 10 anos, os contratos assinados até 93. A proposta contraria o Planalto e retarda a tramitação da MP que já recebeu 600 emendas na comissão mista que a examina.

Beltrame

Em busca de nomes do Sudeste para a chapa presidencial, Eduardo Campos convidou o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, para se filiar ao PSB. E pensa no prefeito Eduardo Paes, do PMDB. Mas aí, admitem seus pares, é sonho: Paes que já foi cotado para vice do pré-candidato ao governo, Luiz Fernando Pezão, quer ir até o fim do mandato na prefeitura credenciando-se para chegar ao governo no tempo certo.

Leilão

Já o senador Aécio Neves (PSDB-MG) oferecerá ao PP, a cabeça de chapa na disputa estadual mineira, que iria para Alberto Coelho, atual vice de Antonio Anastasia. O PP é cobiçado também pelo PT e já deu seu preço: o ministério das Cidades e a garantia de manter sua cota se Dilma Rousseff for reeleita.

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